Marcelo Odebrecth, nomeado pela revista Isto é, como construtor da copa
Marcelo Odebrecth, nomeado pela revista Isto é, como construtor da copa

A frase tomada como título a este texto é prima do epíteto que Alan Moore usou como mote para sua obra-prima Watchmen e que consistia na frase em inglês “Who Watch the Watchmen?”, que vem a Ser “Quem vigia os vigilantes?”.

Tomo emprestado o epíteto como uma forma de refletir sobre quem toma conta das necessidades de cidadãos em um país loteado desde as privatizações primevas feitas pelos tucanos entre empreiteiras, teles e empresas que tornaram-se sócias dos governos que se seguiram no gerenciamento cada vez mais capacitado do capitalismo.

Metro_RioTeles, empreiteiras, proprietárias de redes inteiras de transporte rodoviário, aeroviário, sobre trilhos, barcas, fornecedores de energia elétrica são, especialmente no paraíso neoliberal brasileiro chamado Rio de Janeiro, livres de qualquer regulação real e são quase que entidades inimputáveis no quadro da dita república federativa do Brasil.

Experimente viver fora das bolhas de prosperidades das grandes cidades, como a Zona Sul Carioca, vá para o subúrbio das grandes cidades e se dê conta de como é precário o atendimento das empresas de telefonia, água, energia, transporte e como o descaso das “concessionárias” é nítido, criminoso até, e contando com a omissão do governo e agências reguladoras, chega a ser um escárnio.

superviaQuaisquer reclamações efetuadas com as agências reguladoras tendem a serem tratadas como nada, nenhuma multa, nenhuma suspensão de concessão, nada é feito, tudo ocorre em um movimento simplesmente burocrático, pró-forma, sem nenhuma ação direta de punição à cobrança por serviços jamais prestados, seja pelas NETs, pelas Lights, pelas Supervias ou pelo Metrô.

netDesde que passei a morar em Oswaldo Cruz as faltas de energia são semanais, a NET age como se estivesse doando gratuitamente o sinal de internet e telefone e como se o que pagamos fosse uma doação feliz. Água? Conte com a CEDAE para uma falta de fornecimento por mês mais ou menos. Transporte? Além das máfias de ônibus e vans contamos com a ineficiência dos trens, que lotados conseguem não respeitar nem o próprio regime de intervalo vendido pela concessionária como a nova panaceia para a resolução de todos os nosso problemas.

Os ônibus são velhos e os motoristas entendem mesmo que estão fazendo um belíssimo favor de parar para o trabalhador/estudante/idoso que está ali no ponto para se deslocar para algum lugar que obviamente atrapalha seu passeio diário pelos subúrbios do Rio. E olhem que não estou falando do pior quadro de serviço da cidade, estou falando das proximidades do Parque de Madureira, menina dos olhos do alcaide Eduardo Paes, que obviamente no pós-campanha voltou a seu posto de gerente de balcão de negócios e esqueceu que tem de governar a cidade e encarar de forma dura o mau uso das concessões que o município entregou.

E quando chove temos um quadro absolutamente nítido do desgoverno desta cidade que é a menina dos olhos do país no que tange ao projeto de ocupação urbana, transporte e modelo de negócios baseado em cidades-mercadoria. Tudo para! Trem, ônibus, metrô, telefonia, TV, internet, energia e por vezes água. Se na menina dos olhos do projeto de cidades-mercadoria isso acontece, imagina as cidades com menos recursos, menos mídia, menos holofote? Pois é, imagina na copa.

Logo Preferencial 2010 1 (1)E se olharmos os proprietários dos serviços citados o que achamos? OAS, Odebrecht, CCR, Globo, CEMIG e por ai vai. Depois um exercício bacana é comparar a lista das empresas que obtêm concessão para os serviços essenciais com a lista dos doadores para as campanhas de Dilma Roussef e Lula, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Aécio Neves, Márcio Lacerda, Haddad, Serra, Eduardo Campos, tirando como exemplos os principais quadros partidários dos principais partidos do país. Fazendo este cruzamento o que achamos? Opa, pois é, não é uma linda coincidência encontrar em listas diferentes nomes similares? E o mais legal é que a matriz ideológica dos diversos candidatos não inibe ninguém de doar, não, mano. a doação não entra no Fla x Flu que Tucanos e Petistas, aliados e oposição, fingem existir.

jslzpvComo dizia Plinio de Arruda Sampaio: empresa não doa, investe! E esse investimento parece bom, porque as mesmas empresas doam para todos e “coincidentemente” conquistam lucrativas concessões, como a da Supervia cujo governo do estado do Rio de Janeiro concede o serviço de trens urbanos e compra trens urbanos para a empresa concessionária, não é lindo? Cabral é um bom amigo de seus amigos, Eike tá ai pra não me deixar mentir.

CCR-Ponte-Cameras-1E por isso devemos nos perguntar quem vigia os financiadores e mais, quem financia os financiadores, pois um dos adágios contra o financiamento público de campanha dito e repetido pelo senso comum é o “Não vou gastar meu dinheiro público pra eleger safado!”. Ah, é? Ok, então você não vê que já faz isso ao eleger A ou B que tem sua campanha financiada por empresa A ou B que posteriormente recebem recursos públicos para efetuar serviço A ou B?

A matemática não é tão difícil e temos exemplos: Olhem quem financia as campanhas, olhem seus contratos com o poder público, olhem o quanto recebem do BNDES e tirem suas conclusões. Um exemplo bacana é o Maracanã, quem reconstruiu, quem vai recebê-lo quase que como doação para lucrar pro mais de 30 anos e quais as relações de todos entre si, seja como doadores/concessionários, seja como receptores/poder público. São todos muito amigos, tutti buona gente.

imagesE você povo? Como fica? Provavelmente pegando trens lotados, que passam em intervalos de tempo abusivo, ônibus que deviam ser jogados como sucata, água que falta sempre, luz que falta sempre, internet e telefone de péssima qualidade que é preciso um gasto de tempo que muito pouca gente tem para encher o saco e obter a manutenção adequada, e cai bem processos cíveis também , que são pra poucos, para deixar claro que o cliente não é, ou não deveria ser, gado.

supervia2Enquanto isso o dinheiro público, que parte do povo acha que não deve ser usado pra financiar campanha, é gasto em reformas de estádios  como o Maracanã cujas reformas de 1997 para cá custam, se somadas, quase que dois bilhões de reais, e nesses estádios o povo não terá como pagar pela entrada, aquisição de trens para concessionárias que o chicoteiam, obras faraônicas que funcionam por seis meses e depois voltam a estado de caos que ao pobre é tão familiar que ele entuba como se fosse da vida e por ai vai.

Quer entender como funciona o jogo político e quem é o culpado pela sua falta de luz, internet e telefone? Siga o dinheiro. Ele vai revelar que o culpado tá muito longe de ser o péssimo e mal pago atendente da operadora, mas talvez seu amigo vereador, deputado, prefeito, governador, presidente que você elegeu e cuja campanha foi paga por um dinheiro privado que o doador vai receber com juros via obras públicas.

E isso não vai mudar enquanto o financiamento público de campanha não for resolvido, enquanto os serviços públicos não forem realmente fiscalizados e terem de forma transparente seu exercíco à disposição da população.

images (1)Mas não espere que isso mude através de Dilma, Aécio, Eduardo Campos, Paulo Bernardo, Serra, Haddad, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Lindbergh, eles não vão mexer nos seus sócios, seus financiadores, eles não são loucos.

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