Por Gilson Moura Junior

 

DILMA/SUPERSIMPLESEscolhas políticas tem peso dois na vida humana. E esta última entre opções políticas e vidas  se refletem cotidianamente.

Escolher o projeto do PMDB no Rio de Janeiro resulta em última análise em cumplicidade com o ônus e o bônus dos governos deste partido. Se o PMDB foi o partido que atuou na governança que em algum grau esteve presente nas tragédias das chuvas de 2010 e 2012, no estado e no município, as mortes advindas destas tragédias tem a impressão digital destes governos e deste partido.

Da mesma forma o homicídio contumaz, pra não dizer genocídio, de jovens negros e pobres nas grandes cidades têm a impressão digital dos governos que comandam as políticas destes estados e que não atuaram na transformação do papel das polícias que de capitã do mato virou agente de repressão da população pobre e negra com metodologia não muito diferente dos primeiros perseguidores de escravos fujões.

Lançamento do plano Agrícola e pecuário - Foto Wenderson Araujo (52)Se os governantes não puxam o gatilho ao menos são omissos quanto ao combate do papel exercido pela polícia que comandam.

Porém não basta culpar os governantes do PMDB ou do PSDB por uma característica quase inata ao que representam estes partidos, atores eleitos pela elite como porta-vozes de suas convicções e concepção de estado, é preciso estender a responsabilização aos neófitos na arte da representação da concepção de estado da elite que são os partidários do Partido dos Trabalhadores, outrora um partido de esquerda.

Usina-UHE-Estreito-do-Maranhão-Hidrelétrica-no-Tocantins-inauguração-da-UHE-Estreiro-presidente-Dilma-Rousseff-Siqueira-Campos-José-SarneyAlém disso, é preciso também entender que quem opta conscientemente por uma política de blindagem dos governos do PT, de qualquer esfera de estado (Municipal, Estadual e Federal) tem uma relação de cumplicidade última com o apoio ao latifúndio, ao agronegócio e com os ataques aos povos indígenas, quilombolas, às minorias LGBT e às mulheres. Ocultar os recuos do governo federal e governos estaduais e municipais em todas as questões que se relacionam com Reforma Agrária, LGBT, Quilombolas, povos originários e mulheres é ser cúmplices das ações destes governos.

12534111Ao omitir-se diante do envio das polícias para bater em professores na Bahia ou em Sergipe os apoiadores dos governos do PT são cúmplices da mão policial que empreendeu a repressão. Ao omitir-se de ações veementes com relação a uma crítica contundente quanto ao nítido recuo dos governos do PT ( Dilma só assentou mais que Collor, o pior até então) com relação à reforma agrária e com opção nítida pelo agronegócio, os apoiadores dos governos do PT tornam-se corresponsáveis pelo avanço da violência no campo a partir do crescimento do poder do latifúndio.

images (1)Ao optar por blindar os Governos do PT, o MST optou também por omitir-se diante do nítido avanço do papel dos ruralistas no governo que apoiam. O MST critica corretamente Katia Abreu e a vincula com Serra, a quem a senadora apoiou em 2010, mas ao omitir-se de efetuar uma avaliação crítica das relações carnais entre Dilma e Katia Abreu (E porque não dizer do PT) e o agronegócio, o MST contribui pelo engessamento da luta pela terra e para a exposição de lutadores e lutadoras ao avanço do ruralismo, do latifúndio, e este nunca avançou sem sangue.

images (3)Ao fingir não saber que a opção pelo agronegócio por parte do governo federal, que inclusive cogita nomear a senadora Katia Abreu para um ministério, o MST toma a esquerda e sua base por míopes. Em nome da opção pelo apoio e pela blindagem do governo do PT o movimento finge não ver a aproximação acelerada com o PSD que leva inclusive à presença entre os ministeriáveis de Afif Domingos, atual vice-governador do mesmo estado de São Paulo cujo governador é Geraldo Alckmin do “inimigo declarado” PSDB, o mesmo partido do “satã” José Serra. Além dos indícios acima a cogitação do PT-SP apoiar Gilberto Kassab para o senado em 2014 não é desconhecida dos meandros políticos, rifando Eduardo Suplicy.

imagesAo omitir-se diante do avanço nítido do agronegócio para a gerência do estado brasileiro com a cumplicidade do PT, gerência essa materializada pela aproximação com Katia Abreu, o MST se torna cúmplice do latifúndio pela via da omissão.

A cereja do bolo da contradição absurda de fingir não ver as relações carnais entre ruralistas e o desenvolvimentismo petista é o movimento usar a partir de um assessor seu o termo “invasor’ para se referir a sem terras ocupantes do instituto Lula em nome da blindagem do governo.

1507-3Ao usar “invasor” o movimento reproduziu o ataque do qual foi alvo durante toda sua existência e tendo sido a opção por uma mistura de partidarismo com resistência à ver seu nome, e suas relações, manchadas por uma ação de dissidência, o uso do termo torna-se ainda mais grave dado que sua utilização se fez a partir de uma atitude de baixa política.

images (2)Ao vincular a ocupação ao PSOL o movimento ainda optou pelo desvio de foco da questão grave que é o fato da ocupação ter sido feita a partir da ameaça de despejo do Assentamento Mílton Santos (assentado pelo INCRA durante o governo, Lula daí a opção pela ocupação do Instituto do ex-presidente) em um estado onde já tivemos Pinheirinho e useiro e vezeiro da utilização de feroz violência para expulsar ocupantes.

images (4)Neste contexto o assassinato do lutador Cícero Guedes, líder do MST, em Campos, Norte Fluminense, é um triste lembrete dos limites das concessões e blindagens, dado que a mão pesada do capital e do latifúndio não faz concessões aos oprimidos. Em meio à cálculos políticos, vítimas fatais seguem sendo feitas. Em meio à escolhas de cúpula, lideranças locais morrem. Enquanto a burocracia do movimento oculta às suas bases que o Governo federal é no mínimo cúmplice por omissão da opressão que as vitima, os latifúndio é estimulado a expandir-se, enquanto o recuo da reforma agrária, patente e escandaloso, é presenteado pela blindagem do maior movimento de luta pela reforma agrária.

Neste momento de solidariedade com todos os sem terra, em especial os companheiros assentados do assentamento Zumbi dos Palmares, que ocupam a Usina Cambahyba em Campos , não podemos esquecer de que poucos dias antes outros sem terra, que podem também serem vítimas da mão pesada do capital, foram vítimas da legitimação do rótulo de “invasores”, que tanto usa a mídia empresarial aliada do latifúndio, pelo próprio Movimento dos trabalhadores Sem Terra que pela sua inegável legitimidade os deveria defender.

Se não podia ou queria legitimar a ocupação, que a crítica não contivesse a desqualificação que a mídia busca ininterruptamente gravar nas mentes e corações da opinião pública como relacionada ao MST. Ao optar pela desqualificação que antigamente recebia, e em nome da blindagem do Governo do PT, o MST cruzou seu rubicão.

Lider_do_MST_Cicero_GuedesA solidariedade para com os companheiros do MST que perderam mais uma liderança neste cotidiano de luta contra o latifúndio não pode esquecer que mais mortes ocorrerão enquanto perdurar a omissão do maior movimento de luta pela terra no que tange ao combate ao imobilismo consciente do governo Dilma e do Partido dos Trabalhadores quanto à reforma agrária.

Escolhas políticas tem peso dois na vida humana, e muitas escolhas causam morte. Para evitá-las é preciso que a solidariedade não se torne muda, acrítica e perdure na sustentação de omissões.

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