imagesÀs vezes quando me sento pra escrever sobre política procuro manter uma mediana entre a prática analítica de frieza quase científica com a dimensão emocional da utopia e da liberdade, que dança ali no olho, que mesmo fechado mantém-na dançando.

A dureza do cotidiano não é nem de longe comparável com o que viveram outros tantos militantes que entre ditaduras, Tzares sanguinários, totalitários dirigentes nazi-fascistas ou comunistas, passearam sua analítica utopia mesclada com a esperança voraz na transformação do mundo como meninos que brincam de soltar pipa em verões acalorados das ruas suburbanas do Rio de onde vim.

tumblr_m63n4dQrQP1rq18mto1_500Só que o cotidiano é em si duro na luta que temos de travar contra um sistema e suas vozes repetidas, reproduzidas no homem comum brutalizado pela retirada de sua força de trabalho dia a dia, ano a ano, até que ele em máquina se torna, se torna apenas um voraz aguardador do seu quinhão consumível.

Este cotidiano duro, mesmo mais simples que o de Che, nos afeta e por vezes também nos brutaliza no enfrentamento que vai além da votação, do eleitor, do grêmio, do DCE, do sindicato, da luta antirracista, antifascista, antimachista, anti-homofobia, uma luta e um enfrentamento que vivem em nós, atentos que somos (ou deveríamos ser) ao que nós mesmos reproduzimos.

A felicidade vai desabar sobre os homensNesta batalha constante entre diversas frentes de superação do sistema pro vezes nos olhamos no espelho e nos esquecemos amantes, livres, soltos, vivos e risonhos. Nos tornamos pro vezes frios e cruéis lutadores, velhos guerreiros, soldados de Lênin, amantes da motosserra.

Isso, óbvio, se nos deixarmos esquecer aquele momento em que fomos tocados pela utopia, a utopia que nos fez comunistas, anarquistas, socialistas, libertários.

foto_mat_26868Se lembramos porque lutamos e onde, quando e porque nos tornamos comunistas, a utopia vem e nos preenche e assim relembramos que antes de vencermos é preciso saber como.

Porque não há revolução sem poesia.

PS: Este texto foi inspirado por esta entrevista da Clara Charf

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