O que é política? Como definimos política? Ao que nos referimos ao falarmos de política?
Parecem perguntas com resposta óbvia, imediata, pode a própria indagação ser vista como um ato de ausência de pés no chão e noção de concretude e/ou uma busca de dogmatizar a percepção do que é política. Porém a pergunta é mais uma aporia, questão sem uma resposta única ou um problema interminável, que outra coisa.
A política é uma gama tão grande de percepções que seria simplório e reducionista defini-la sob conceito A ou B. A própria ideia de uma grande ou pequena política, conceito muito caro ao companheiro Deputado Chico Alencar, é de certa forma uma imposição de categoria, uma imposição de um conceito construído e aceitado como “normal” por uma parcela da população e não por outra.
Não quero dizer com isso que a noção x ou y de política seja superior às outras ou o inverso, mas sim que temos de entender a extensão do problema da nomenclatura da política, inclusive para que o diálogo, esse saudável conviver entre diferenças, não seja substituído pelo dogma.
A política é tanto eleitoral quanto de movimento, é tanto trocar voto por cimento quanto a busca do convencimento pelo diálogo, é tanto o raciocínio dialógico quanto o fanatismo babador de gravata. Provavelmente a noção de consenso em política tenda a ser também o atestado de óbito da sociedade, dado que a diversidade da sociedade é imensamente mais dinâmica e poderosa que modelos de convivência, formatos teóricos e lógicas de comportamento ao ponto de um consenso político levar quase que de forma causal à um certo autoritarismo da substituição de uma forma de ver o cotidiano por outros ou outro. 
O consenso tende a eliminar a discordância e salvo raras exceções tende a ser mais uma conquista de hegemonia com vítimas e um presente cheiro de autoritarismo.
Há quem entende política como um somatório de elementos que incluem o eleitoral, o movimento social, o cotidiano de lutas menores que constroem mudanças de forma paulatina e o conjunto de pequenas ações que tornam possível um ideal de estado baseado em isonomia, ou seja, a tão falada democracia, neste campo se enquadra a ideia de Chico Alencar da “Grande Política”.
Há outros no entanto que entendem política como a conquista de hegemonia pura e simples, dentro de uma ação brutal de eliminação das oposições, seja pelo voto ou pela prática “pragmática” de aparatismo do estado, de organizações ou entidades, seja pela via de um processo “revolucionário” burocratizados, seja pela conquista de governos e alianças que mantenham postos de controle nestes governos.
Há a população também que lida com a  política com uma mistura ampla de pragmatismo com organização, que pode ao mesmo tempo aceitar o tijolo em troca de voto como organizar movimentos de resistências a remoções.
A direita entende o poder como algo vinculado à política e ao controle do estado, assim como parte da esquerda e tende a concordar em partilhar o estado com adversários se isso for útil a seus interesses imediatos.
Todas as definições de política são legítimas, mesmo que ilegais, são lógicas de prática, de defesa de ideais, de luta política. A questão é que tipo de estratégia abraçamos e para que entendemos a política. 
Se for pra garantir a sobrevivência cotidiana, manter o pouco que se tem coberto não vejo porque um surto moralista para condenar o morador de comunidade carente, onde o estado jamais vai, por vender seu voto por telha e tijolo. Cada um sabe onde o calo aperta.
Se for pra garantir um rigor de ação que possibilite avanços e quiça um processo revolucionário que altere o estado, que amplie a formação política da população via luta política, a mais perfeita escola, entendo até as limitações de dividir a política entre Pequena e Grande, entendo até determinados surtos autoritários do cotidiano político de entidades, organizações e partidos maiores ou menores. Entendo e posso até defender, mesmo discordando aqui e ali e achando moralista ou sectário aqui ou ali.
O problema é quando a lógica de política, a ideia de política vira parecida, irmã até, da ideia de manutenção de um estado e de interesses idênticos ao da direita que se diz combater, e chega ao ponto de emular, imitar, mimetizar comportamentos desta para manter sob controle uma massa de votos que garante a ocupação do estado, organização ou entidade. 
Quando a eleição vira a medida de todas as coisas, úncia forma de fazer política, única ideia possívle de intervenção para a transformação do mundo,quando o eleitor vira o amior juiz da ação política, maior e único, o que nos separada mais velha, cruel e  tacanha direita? Talvez nada, como o govenro Dilma gosta de nos provar diariamente em suas práticas que vão desde o abandono da questão LGBT até ao tratamento de grevistas como criminosos com uma inflexibilidade em negociar só comparável a FHC.
Quando a “popularidade” vira o único valor e o “Transformar o país” se parece cada vez mais com apenas ampliar o abismo de direitos e desigualdade que já temos, mascarado por “benesses” que não mudam estruturalmente nada e são só um choque de capitalismo, podemos definir este governo e partido como de esquerda? Podemos entender esta politica como diferente da política de direita?
Talvez parte da esquerda só consiga a prefeitura das redes sociais, mas a obtenção de prefeituras, governos de estado e governo federal para agir como ferramenta de opressão de movimentos sociais, de remoção de pobres, de tratamento da educação como sub-nitrato de excremento, de tratamento de professores como imbecis, serve exatamente para que no sentido estratégico? Serve pra que tipo de melhora qualitativa no sentido político com relação à direita mais obscurantista e tosca?
A política é também reputação, é também símbolo, é também signo e quando os signos servem para confundir Esquerda e Direita, Amarelo e Vermelho, tucano e Estrela a política entre em um obscuro véu onde no fim o fascista e o progressista acabam parecendo o mesmo, e o desserviço desta política tende a corroborar com a “Pequena política” a que o companheiro Chico Alencar se refere como principal alvo de nosso combate, porque torna a política uma mistura de elementos que não permitem que se enxergue nenhum tipo de luz no fim do túnel que não seja um trem.
Quando Lula abraça Collor e Maluf, um muro de referências erguido com lutas cai e o norte que ele significava torna um fluido elemento de confusão para quem o observava.
Quando o governo  do partido dos trabalhadores trata trabalhadores como a direita tucana tratava esta confusão se torna maior e mais grave, porque confunde referências e práticas e acaba por igualar Bolsonaro a Suplicy.
E à população que por vezes entende que nada muda, pois a opressão só se renova, a lógica da imutabilidade o endossa a continuar na prática do benefício imediato, se apegando a toda e qualquer mudança de curto prazo, que seja a da venda do voto, dado que no horizonte turvo da política institucional as diferenças tênues não permitem uma construção de caminhar claro e decidido diante da própria consciência da realidade obscurecida pela igualdade entre “diferentes”.
Aos “diferentes”, a quem se constrói de outra forma, a própria dificuldade de se diferenciar é uma perda de tempo e de espaço que acaba por levar à luta política de convencimento à parâmetros novos, especialmente a partir da perda de identificação clara do que é esquerda.
A quem busca uma política de convencimento, conscientização ( no sentido de depurar a informação, a formação e de auxiliar à auto-organização para a auto-consciência), o véu que se ergue pelo “pragmatismo” institucional se torna também um problema imperativo, pois a cultura que se constrói,a  tradição que se reforça é a da legitimidade pelo cargo e não pela construção ideológica me torno de programas e projetos políticos.
A política que se busca “grande política”, ainda no sentido defendido por Chico Alencar, como uma política republicana e ética, tem de dobrar os esforços para se legitimar primeiro como política para depois se tornar “grande” em comparação com a política do imediatismo e do curto prazo mantida pela relação entre as necessidades da população e a política de manutenção de cargos e aparatos.
Quando esta política é tida pelo principal partido da república, atualmente governando o país, tratando servidores como bandidos e conduzido por um partido originado na esquerda e que hoje atua como seu principal inimigo na direita, como um “desserviço”, como uma “ilusão”, o caminho que se entende é que se abandonou totalmente qualquer traço de busca de mudanças em nome de apenas conquistas de mais e mais espaços para a burocracia que se mantém internamente e de uma massa de idólatras que trocaria a mãe pela vitória de seu time, ops, partido na competição chamada eleição que rola a cada dois anos.
A política tem muitos nomes, muitos conceitos, todos legítimos, porém optar pela confusão política em prol da manutenção de aparato burocráticos ao invés de bancar ampliação de direitos e redução real, estrutural, da desigualdade, o Partido dos Trabalhadores e seus apoiadores, a despeito dos slogans, confundem só se são a esquerda que a direita gosta ou já não são apenas intermediários.
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