Loja de carros em Vila Valqueire
Hoje ao circular em Botafogo sem carros na calçada quase, com guardas municipais circulando, com obediência de motoristas a sinais (Com exceções raras) limpeza urbana, lixeiras em toda a rua, percebi com mais ênfase que a tal cidade partida sobre a qual teorizava Zuenir Ventura e que mencionei aqui indicando outras fontes que discutiam o problema da divisão não só social da cidade do Rio de Janeiro, é não só um fato, mas uma opção do poder público.
Há, por exemplo, lojas de automóveis tanto na zona sul do Rio quanto na zona norte, especialmente onde moro, em Vila Valqueire, mas o respeito levado a cabo pelos lojistas na área nobre da cidade é completamente diverso do que se vê no cotidiano do subúrbio, onde a prefeitura só aparece para retirar camelôs das praças  e multar carros particulares deixando os carros das lojas ocuparem às vezes  a mesma calçada ou lado da rua onde os carros particulares estavam estacionados.
Loja de carros em Vila Valqueire
Se na zona sul há um certo respeito levado a cabo pelos utilizadores de veículos não é exatamente pela bondade humana, mas pela presença ostensiva do aparato do estado, seja a policia militar seja a guarda municipal, pelas ruas. 
Em Vila Valqueire o que se vê é a Guarda Municipal conversando com lojistas, parceiros que são, seja lá qual for o eixo de união entre o poder público e o empresariado local que tem o bairro como seu e ocupa os espaços das calçadas impedindo doentes, cadeirantes, mães com bebês e o transeunte comum de passar sem ter de pedir licença aos senhores do espaço.
O choque de ordem? A secretaria de ordem pública? Estão do Méier e Tijuca pra frente impedindo o vendedor ambulante de trabalhar, a cervejinha ao redor do estádio e claro atuando pelo lado bom que é dar Às calçadas ao pedestre, coma  exceção de locais onde o restaurante “tradicional” tem uma liberação “branca” de ocupar a calçada.
Loja de carros em Vila Valqueire
Já em Valqueire o choque de ordem é dirigido ao senhor que mantinha brinquedos para as crianças em uma praça mal aparelhada e mal cuidada, ao vendedor de pastel tradicional, ao comerciante popular de ervas e outros atores cujo peso em relação ao shopping de automóveis é semi nulo. O lojista das lojas de automóveis tudo pode, esse não é incomodado e reza a lenda que por associações estranhas é avisado quando da atuação da tal “secretaria da ordem pública” e do “choque de ordem” com antecedência que o permita fingir que não burla as leis.
Lixeiras? No subúrbio não precisa conforme o prefeito. Se na zona sul é uma a cada poste no Valqueire é uma a cada duas quadras.
A ordem pública segundo a prefeitura é localizada nas proximidades de onde reside o prefeito e a rede de televisão que o apoia.

Além de não ser discutida com a população e obedecer a ditames relacionados à valorização da mesma velha zona sul e aos pontos apontados pela Rede Globo, o tal choque de ordem não tem nenhum cuidado de esconder preferências por uma ordem que restrinja a cidade a quem não mora nela ou a quem consome, especialmente se for turista ou morar nos bairros onde a ordem significa limpeza de pobres da linha de visão.

Aqui no Valqueire e ao redor de Madureira constroem belos parques, removendo favelados, e fazem obras de última hora de recapeamento enquanto o sujeito pra ir pro trabalho fica mais de três horas no ônibus, recebendo poeira de obras executadas como que feitas sem planejamento e sabendo que todo o embelezamento tem o período tradicional de duração até no máximo alguns meses apos as eleições.

Em qual cidade do Rio de Janeiro você vive?

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