Existe um ethos acadêmico.
Sim existe um ethos acadêmico que permeia a esquerda, a direita, o centro e vive dentro de cada um que lá está. Não é difícil entender o porque, dado que toda a sociedade e todos os grupos sociais mantém uma cultura  própria dentro da Cultura-mor que é comum a todos e “gere” comportamentos e percepções do real, conscientes e inconscientes. Todo grupo social mantém uma  cultura que se reflete em jargões, modos de andar, gosto musical, humor e também em participação política.
O Ethos acadêmico, este corpo de formatos que acabam invadindo cada ente que participa da academia, é relacionado diretamente com a lógica científica de construção de verdades e de revelação de verdades, fenômenos, descobertas. A academia quer descobrir o real, não exatamente transformá-lo.
Além disso, existe um eixo meritocrático que hierarquiza os participantes de acordo com uma classificação de valores que inclui inclusive os títulos como eixo de definição de valor do indivíduo. Esse eixo não pega só no sujeito acostumado com essa lógica, que vive em um habitat cultural que permite não só a manutenção desse arcabouço valorativo, mas estimula sua preservação. Esse eixo também persiste e se reproduz em quem se identifica como Esquerda.
E é neste aspecto que a lógica da Esquerda tem um embate direto como Ethos assumido pelo acadêmico, que é impulsionado à transformação no mundo ideológico, mas que abraça a manutenção no âmbito de seu sistema de valores pessoal e de seu grupo.
É ai que o “revolucionário” da Rua humilha um aluno em público por este não entrar inteiramente nos critérios assumidos por ele como definidores do valor do indivíduo. O “revolucionário” da rua é conservador e mantenedor de uma hierarquia rígida no interior do grupo social onde atua, no interior de seu habitat.
É por isso que vemos professores defendendo uma práxis revolucionária em assembleias de partido, sindicato, seminários e palestras e tripudiando de um doutorando em redes sociais ou humilhando um militante que por acaso não seja versado completamente na literatura acadêmica a respeito de algum tema ou fazendo troça de defensores da revolução que por acaso não consigam definir como será o futuro (Até por não serem Mães Dinahs).
Por isso também que o Acadêmico tende a estacionar na defesa de reformas e não avançar muito na lógica revolucionária, por ter como eixo de construção de sua visão do real a dupla função de revelar, descobrir o real, com a de manter a estrutura que o constrói  e localiza no espaço social:  O mérito e a hierarquia.
Ao Ethos Acadêmico a  Revolução é tanto uma ilusão como uma afronta.
Neste aspecto vemos acadêmicos tendo crises de Classe Média Sofre por estarem ofendidos pro um povo que não obedeceu a seu comando títere e cisma em ter valores, gosto musical e fé diferente do que entende como ilustrado. É por isso que a média dos acadêmicos tende a apoiar candidatos e lógicas políticas que trabalhem com a mediação e com os limites e controles à mão, evitando rupturas, é por isso que vemos defensores de uma mudança de perspectiva etnocêntrica sobre grupos sociais ou etnias mantendo uma lógica e perspectiva etnocêntrica para com o que entende como “errado” ou “limitado”.
O Ethos Acadêmico é um modo de entender o mundo que se liberta pela capacitação de observação do todo, cativa pela lógica hierarquizada, reformista e arrogante que torna acadêmicos como quase desejosos de um povo diferente do que têm, de uma lógica de comportamento SOCILA, de uma etiqueta social com punhos de renda e cuja percepção do povo foge à ciência mais reles e acaba por ser um apanhado de preconceitos misturados com rococós proto-científicos.
O Ethos acadêmico é fruto ainda da lógica burguesa de entender a sociedade, é um ethos construído não ontem, não anteontem e mantido desde o surgimento das universidades, mantido pelas revoluções burguesas e não combatido internamente pela maioria dos membros da academia.
O Ethos Acadêmico pensa o país e o mundo, mas impõe limites para a participação da construção do mundo e transformação do mundo baseados no entendimento do mérito acadêmico, da visão intelectualizada e formalizada como intelectualizada como visão dominante, ignorando em sua maioria os aspectos locais da construção do real e explicação deste. E mesmo quando não ignora as perspectivas nativas por um lado, as ignora por outro quando  o nativo não é pitoresco.
Precisamos da academia, precisamos da ciência, precisamos dos acadêmicos, pesquisadores, mas precisamos também ir além de retoques no mundo para evitar que as togas pareçam cada vez mais com mantos de nobres e menos com o macacão que se suja na terra pra construir um mundo novo.
Pensar é um ato político, mas precisa também ir além do discurso.

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