Política, direitos humanos e ditaduras são assuntos cuja relação é pra lá de fundamental a ser debatida pela esquerda. 
Não estou falando aqui só de um posicionamento a respeito,mas da percepção de seu valor como algo que está para além de opções táticas ou estratégicas de ação direta ou de linha de ação político-teórica, está além de eleições, de defesas de postura política ou de superioridade moral ou teórica desta ou aquela escola da esquerda.
São temas transversais, transversais, fundamentais, de determinação valorativa do militante e do grupo ao qual ele faz parte. Sim, estes temas, como as questões de gênero, LGBTT e raciais, são temas de formação  do militante ou grupo, ou seja, se o sujeito coloca estes temas como subalternos a uma tática ou a uma estratégia política sua ou de um grupo ele a meu ver já comete o primeiro pecado capital da burocratização da política: Escolhe entre a ação política e o cálculo de capital político e se apega ao segundo.
São essas transversalidades que a meu ver determinam o “quem é quem” na arena política. Se um grupo ou sujeito entendem que são passíveis de serem colocadas em segundo plano diante de uma possível conquista “superior”, como se dissesse “Vamo revolucionar primeiro e depois a gente vê!”, ele já denota não ter apego nenhum a questões que nascem do humanismo e que são apropriadas pela esquerda desde seu nascedouro.
A questão de DH, Ditadura e ação política juntas tem em si algo um tanto mais caro que é o apego à memória coletiva de uma esquerda, que triturada pelo estado ainda não tem os corpos de seus mortos para chorar, enlutar e fazer a passagem. Além de toda a questão teórico-política tem o sentido, o sentimento de viver algo e ver diante dos olhos, sob a pele de outros, torturados e mortos, a história jogada pela janela a fora enquanto se “solidificam” governos ou “estratégias revolucionárias”.
Nesta questão é preciso termos em mente, e no coração, a ideia do que é a memória, do que é a politica e que a ação ai é político-sentimental sim, é de construção e luta por uma história onde nossos mortos tenham nomes, corpos, datas, causa mortis.
É preciso repetir para que fique claro,é preciso ter nesta luta o coração, um coração grande o suficiente para abarcar todas as dores, senti-las, sabe-las e assim agir.  A “frieza racional” tida por muitos na política como uma qualidade, aqui tem em si o germe também do cálculo, um cálculo que por vezes entrega anéis e dedos e se esquece do companheiro que nunca conheceu que foi esmagado por botas que são hoje engolidas em nome da “conjuntura”.
Precisamos do coração, do enorme coração que goteja de sangue ao ouvir, ler, saber dos parentes, dos companheiros trucidados pelo estado hoje ocupado por um partido que deveria ter mais vermelho no coração neste tão delicado assunto e menos o pensamento em eleger o ex-ministro da Educação. 
Precisamos do coração, e talvez da cabeça quente e da rude franqueza, para irmos além do truculento ufanismo de uma “conciliação” pela governabilidade. 
É uma dura batalha,uma dura batalha com quem nunca usou pelicas pra bater. É uma dura batalha que exige mais honestidade e menos educação. Uma batalha pra construir sim uma comissão da verdade comandada pelos grupos de parentes de desaparecidos e cuja vaidade individual ou coletiva tenha de ser abandonada por uma questão maior, muito maior do que a de todos os grupos da esquerda e suas teorias que desprezam por vezes inclusive o próprio povo, chamado de idiota e ignorante por discordar de seus teóricos.
É uma batalha que precisamos lutar para construir uma comissão da verdade da sociedade que possa superar as n traições (E de traição eu entendo) do governo, do estado, da justiça, dos partidos, das pessoas nesta luta para abrir os arquivos da ditadura e punir torturadores, limpando essa nhaca da alma política do país.
É uma batalha para se organizar pontes e não controle. Sejamos catalisadores de uma união entre os grupos que já atuam na sociedade pela abertura de arquivos e punição aos torturadores.
Nesta hora guardemos nossas máscaras, bottons, interesses e oportunismos e entendamos que existem causas que superam nossa individualidade e senso de grupo e para isso precisamos organizar de alma limpa um movimento que ajuda e projetar um país onde a marca da maldade ditatorial, que está no olho da PM, no sorriso do ruralista, não seja repetida por jovens que a cada dia repetem mais o ódio do que a solidariedade e fraternidade libertárias que em algum dia Frei Tito sonhou.
É preciso de coragem, entrega e um profundo senso de dever para isso.
É preciso despir a vaidade.
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