Língua, esta mesma, língua. Aquela que na boca vira verso, vira palavra, vira ócio, vira slogan, vira nada.
Não, não errei de blog, não fiquei maluco, só tô falando da língua, essa ferramentinha do diabo que nos ajuda à comunicação e também à demarcação de posições políticas claras ou não.
A língua é o meio mais comum e simples de comunicação,ele é absorvido pelos falantes logo nos primeiros anos de vida e é marca de cultura, classe, região e formação intelectual.
Na maior parte de nossa vida na escola aprendemos a língua através da tal Norma Culta, e também o Inglês e/ou o Espanhol como língua auxiliar obrigatória “em tempos de globalização”. 
Na escola também temos como política determinante do ensino da língua o corte que relaciona ao falar epítetos como o “certo” e o “errado”. Falar “certo” é o falar conforme determina a norma culta e falar “errado” é a fala nativa, a aprendida na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.
A escola ai atua como mediadora da casa para a sociedade, ou seja, grosso modo o aluno sai bonitinho da família e adentra o espaço que o “treina” para a sociedade. 
Este “treinamento” obedece, claro, uma lógica de estratificação que é lindamente aplicada com a diferenciação do tipo e qualidade do ensino de acordo com a classe a quem ele atinge. Escolas públicas em geral hoje tem uma qualidade de ensino pior que escolas particulares e dentre ambas existem gradações relacionadas a onde se localizam e ao valor pago pelo “produto” ensino.
Essa estratificação é de simples entendimento ao olharmos, de novo, para a aplicação da tal língua pelo aluno e também pelo domínio de línguas estrangeiras. Dá pra saber quem tem um tipo de ensino com maior atenção ao aprendizado pelo modo pelo qual o aluno escreve e domina a leitura.
Mas não só na escola isso ocorre. A Língua é uma barreira inclusive sob o ponto de vista das relações diretas entre indivíduos e entre classes. Não é incomum que conversas sejam colocadas baseadas em jargões cujo entendimento é limitado a “iniciados” com o fim de reduzir mesmo o entendimento por outrem. Isso ocorrem em situações prosaicas do cotidiano e como arma de classe ou de reserva de mercado, o vocabulário jurídico e a linguagem cientifica acadêmica tão aí pra não nos deixa mentir.
Um dos mais interessantes argumentos quando são apontadas as barreiras linguistas, sejam elas de não entendimento de termos ou de uma língua estrangeira, é que o interlocutor é “preguiçoso”. Esse argumento chega a ser fofo, mesmo, porque ele aponta que o defeito de um texto ou discurso em não ser entendido não é o do autor, mas o das pessoas que não o entendem,mesmo quando estas são a maioria.
Assim se mantém um locus social, uma estratificação social via negação do entendimento ao outro do falado, do escrito, se exclui que não possui o mesmo “grau” de entendimento do autor, que por vezes é só um embusteiro enfiado em barrocos, rococós e termos em inglês ou francês que possuem similares na língua nativa dos “preguiçosos”.
A diferença entre os embusteiros e os defensores da elite de forma clara? Talvez coragem.
E ai nos peguntamos (nós cuja a língua é pátria e temos mátria, mas queremos frátria) o que quer e o que pode essa língua?
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