Muito me tira do sério determinados usos da generalização “índio”.
Embora entende que a generalização é também um instrumento de diálogo e que também é uma categoria nativa, usada pelos indígenas para conosco, e que eles nos vẽem como “os Brancos’, a lógica comum, cotidiana, do uso da categoria não é exatamente um modelo de pensamento criador de pontes, mas de estereótipos limitadores e desumanizadores.
Um índio para a população, mídia, escolas, e se bobear até intelectuais, é um sujeito vestido com roupa de penas, que caça e pesca seu alimento e que atrapalha usinas. Um índio serve como arquétipo de fantasias infantis ou de carnaval, como imaginário pro-ecológico “abraço na lagoa”, serve para delírios de socialistas utópicos, para delírio de quem pensa no não-humano, uma espécie de duende vivo e meio vermelho que tá ali pra nos salvar da brutalidade branca ocidental.
Todos esperam um índio, aquele mesmo, que descerá de uma estrela colorida, brilhante e nos dirá o óbvio. E neste meio tempo finge não ouvir o que indígenas das etnias Pataxó Hã-Hã-Hãe estão dizendo na Bahia, o  que indígenas Krahó dizem ao observar que a ampliação de estradas próximas às reservas no Tocantins, efeito indireto de Belo Monte, acabam por ampliar exploração sexual de crianças indígenas, não ouvimos as etnias Xikrin, Parakanã, Kuruaia, Assurini do Xingu, Arara do Cachoeira Seca, Araweté, Juruna do Pakisambae que se juntam para denunciar e combater a danosa construção de Belo Monte e todos os males relacionados à elas e que concorrem inclusive para levarem a cabo um profundo ataque à elas, e que pode levá-las a problemas que incluem até a extinção.
Não ouvimos os índios quando nos dizem o que estava oculto e no que era o óbvio, mas cantamos que esperamos Um Índio, que descerá de uma estrela colorida e brilhante.
Não ouvimos os índios reais, mas fantasiamos Um Índio, pintamos nossas crianças como esse índio, desumanizamos os reais os transformando em uma fantasia, que a cada dia parece que será exatamente isso, uma fantasia, pois a realidade estará extinta.
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