Não sei se cês notaram mas tem uma ironia perdida por aqui.
A lógica das relações de gênero, o sexo em si, o vuco vuco, a dominação/Submissão, a bagaceira do amor ailoviu, essa coisa toda tem meandros que uma cabecita movida a vapor pode engasgar e negozinho baseado em tecnologia Wii pode ter nojinho.
A relação macho/fêmea tem mais explicação que Jesus andando em cima d’água (Pra mim uma metáfora do primeiro Surf em águas galiléias), e penetrar (ui!) nesse ninho de magarfagarfo é coisa pra quem tem peito, ou peitos.
A partir do desafio de desmulherzinhar o debate sobre o vuco vuco carpado no Biscate Social Clube e sobre a relação Johny Guitar e Guitar Hero, tomei coragem, um rabo de galo, dois cafés, fiz as unhas (Homem se cuida) e parti pra gonorância.
Primeiro devo assumir que Johny Guitar é pra mim um conhecido via Google e que pelo que li não devo ver. Segundo devo dizer que a busca da galhofa perfeita pode estar por aqui, pode mesmo estar ao seu lado, você que se não me lê, deveria. Em terceiro e acho que último lugar defendo a tese que a virtualização das relações, mesmo em seu lado bom, acabou pro conduzir um efeito de falsificação  nas tramas de novas canções e ziriguiduns horizontais que transforma possíveis Johny Guitars em viciados em Guitar Hero, aquilo parece balacobaco, mas é só um jogo.
A própria lógica de classificação e rotulação constante e infinita, já presente no mundinho animal real de cada dia, ganha apelo, voz, ferocidade e se reproduz na margem da impessoalidade abstinente e antisséptica dos teclados e monitores escondendo o murro fatal nos cornos, a pegada na bunda, o beijo chupa estômago e o xaxado horizontal que todos buscam. Ai rola uma mistura de Vovô Donalda dos anos dourados com macho megabite e isso não pode dar certo.
A malucada perde um tempo precioso esquecendo o lado real pra só guitarheronizar, cai nas esparrelas classificantes de mulheres como gado, acaba reproduzindo a  cabecinha  mula mansa do papai sabe tudo no “Mulher pra casar/Mulher pra trepar” e acha que playstation é guitarra, isso não pode dar certo.
E ai vemos jovens de 20 anos mais machistas que meu avô, e olha que meu avô fez concurso, e mulheres se plastificando e ajudando ao domínio opressor dos Guitar Hero transformando agora vagabas dos anos 1950  em biscates pra “se valorizar”, como se mulher fosse ação da bolsa de valores.
Claro que isso tudo existia antes, tudo muda muito e mantém-se muito, mas com a virtualização a coisa ganha um aspecto de vírus e não to falando do worm que ataca máquinas ou marketing viral, mas da doença, uma doença carpada no moralismo e no TOC antibacteriano. E também não condeno o virtual de per si, porque inclusive o acho duca, diminui resistências que o contato imediato pode causar e permite um, digamos, primeiro ensaio do vuco vuco com mais relaxamento.
Mas a substituição da guitarra pelo guitar hero; da mulher pela Barbie; do macho autentico, formado nas quebradas das esquinas, com seus cagaços, recuos, ataques, porradas e recusas, pelo troglodita virtual (às vezes nem sempre) formado nas academias da brutalidade e da reprodução de preconceitos e sentado no teclado cheio de uma testosterona gasta em bronhas sobre um sexo de filme pornô, tudo isso produz menos João Nogueira e mais Luciano Huck e, cês vão me desculpar, isso deve ser um indicio do fim da humanidade.
Tá na cara que o negócio de diminuir a mulher é uma pusta cagada de regra do submacho de playstation. Homem digno do nome quer é ser caçado, pra poder caçar também, quer mulher pra chamar de sua, pra ser chamado de seu, pra amar no chão, pra chamar de lua estrela e luar. Ai se criam gerações que buscam um tipo de Lassie mestiça com Jenna Jameson, se transformam em rambos sem faca, ou coragem, latem pra lua quando vêem um carro e ignoram a mulher pra pagar de bíceps em rave.
Sei lá, isso me parece contraprodutivo.
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