Não pretendia escrever sobre isso. Em primeiro lugar porque acho que a linha tênue do respeito político e à inteligência, da honestidade intelectual, não só foi ultrapassada com o advento das redes sociais como a rapaziada samba na cara da coerência a as referências, por mais flexíveis que sejam, ideológicas hoje mais parecem uma mistura de relativismo amplo com samba do crioulo doido (Ou do afro-descendente fora do eixo mental dito normal, se lhes parecer racista o uso do primeiro termo). Em segundo lugar porque minhas opiniões a respeito de homofobia, racismo e misoginia não são exatamente premiadas pelo auge da flexibilidade.
Não gosto nada de Paulo Henrique Amorim, do que se se convencionou chamar de “Blogueiros progressistas” (Que vai muito mais longe de blogs e tem uma cara tão corporativa quanto a jornalistada da mídia gorda), acho uma merda o naipe do jornalismo e do ativismo político ao redor do/da Cara, acho uma merda a Globo e congêneres, acho o Heraldo Pereira um jornalista tímido, pra ser um cara legal, e omisso também, especialmente diante do fato claro da organização onde trabalha defender a inexistência do racismo no Brasil, mas, no entanto, todavia e apesar de estar mais próximo dos “progressistas” , que ao menos em alguns pontos concordam comigo a cada seis meses, não posso nem sonhar em deixar passar uma declaração que chama o Heraldo de “negro de alma branca”. 
Não se pode transigir com racismo, homofobia e misoginia.
Se Paulo Henrique Amorim não é racista, parabéns pra ele, mas nesta declaração ele foi sim e continua sendo ao ridicularizar a minha, a sua a nossa inteligência, assim como seus defensores, ao não reconhecer que, por baixo, usou uma terminologia racista, repetindo, RACISTA, para se referir a um colega de profissão.
Dizerem que o termo “Negro de alma Branca” é anti-racista é zoar, de boaça. Talvez em salvador ou em Brasília o seja, mas sempre ouvi o termo ou para se referir ao negro que não milita nos movimentos anti-racistas ou pra se referir “elogiosamente” ao negro que possui “qualidades” inatas aos Branquelos. Nos dois casos, na casa Grande ou na Senzala, o uso é racista. 
É racista porque reduz, porque ridiculariza o outro atribuindo a ele ou a omissão diante dos seus, a quem deveria automaticamente ser um militante solidário por ter uma cor da pele determinada, ou por atribuir a ele qualidades que são “alheias” a seu fenótipo. O uso para o negro não militante é racista por que reduz o sujeito a um negro “menor”, o pelo sujeito que atribui ao negro qualidades por ter “alma branca” é por atribuir ao negro “de alma branca” qualidades que lhe são alienígenas por vetadas ao negro.
Paulo Henrique Amorim ao dizer que Heraldo Pereira era um “negro de alma branca” talvez não tivesse intenção nenhuma de incorrer em racismo, mas incorreu. PHA talvez estivesse ironizando um colega de profissão por este trabalhar na emissora que sustenta a tese de não sermos racistas, poderia fazer de outra forma, preferiu usar terminologia racista e dentro do contexto altamente interpretada como um ato tão racista quanto o termo possui de carga. 
Talvez se apenas corrigisse publicamente e considerasse um ato nada violento da auto-crítica pelo uso do termo nada estivesse tão quente e nenhum Blogueiro Progressista caísse no corporativo uso do termo “Esgotosfera” para se referir a quem não foi iniciado nas artes mágicas do babaovismo político e nem a máquina de defesa inconteste da grande tribo vermelha perdesse seu valioso tempo defendendo um jornalista adulto e experiente ao invés de, sei lá, tentar evitar maiores recuos do governo em áreas como os direitos LGBTT, Aborto, luta anti-racista,etc. Mas novamente se preferiu criar um Fla x Flu, um espantalho arrogante, onde o termo “inveja” aparece a rodo.
Da mesma forma que no episódio Feminazi a Milícia Progressista Governista prefere um embate estéril e histérico lotado de ad hominens ao simplesmente reconsiderar em auto-crítica o grau ensandecido de oposição apolítica à imprensa não governista que leva um de seus próceres a cometer um equívoco de tal monta.
Bastava a PHA reconhecer que fez merda. Ao não fazê-lo, diante do uso de um termo racista, amplia a consideração de que seu objetivo era exatamente o que pareceu. A defesa irracional e com tantas acrobacias aéreas, que chega a dar inveja à esquadrilha da fumaça, desafia a lógica e ao senso de ridículo. Grande parte da defesa do digníssimo gira em torno de suas qualidades pessoais, que honestamente não me interessam, e que  não deveriam interessar a ninguém.
Enquanto figura pública cometeu-se um ato público que incorreu no racismo, uma simples auto-critica lhe engradeceria. A resistência, inclusive coletiva, inclusive usando a vil tática do uso da empresa onde trabalha o ofendido como espantalho pra desqualificá-lo e aos críticos do ato de PHA, lhe e lhes diminui, como é comum recentemente a cada necessidade de defesa de um dos seus ou dos governos que apoiam.
Pouco se diz que o ofendido estava para obter, ou obteve, ganho de causa na justiça com relação ao fato ocorrido e que o jornalista PHA através de acordo conseguiu a cessão da  ação. Acordo esse onde reconhece que extrapolou e que não teve a intenção de ser racista, bastava inclusive dizê-lo publicamente a todos, mas ele, e seus defensores, preferiram a lógica da acrobacia para defender o indefensável.
É preciso sim batermos de frente com a lógica Kamel de “Não somos Racistas”, inclusive em nós. E é complicadíssimo quando em um momento como esse, onde parte da “inteligentsia” que se toma por “progressista” cai em um “Quase não somos racistas” em nome do corporativismo.
Palavras tem peso e poder, precisamos aprender isso.
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