Às vezes me parecem os textos da esquerda, especialmente da marxista, de um formalismo analítico que quase segue uma fórmula imutável.
É tipo assim: Se A se deslocar para B, teremos C.. e de boa, nem sempre teremos C, o deslocamento muda diante das realidades, mas as análises por vezes se enrolam numa forma que as identifica como pertencentes ao mesmo corte “Teórico”, ou seja, salvo raras exceções, todas propõem uma mesma solução ao fim da análise seja ela falando de tsunami ou falando  da praça Tahir, ou do 11 de Setembro ou da relação sexual dos macacos…
É claro também que as análises vindas da academia sob a perspectiva Marxista não cometem este erro, mas esse rigor acadêmico não se espalha, não vai além das fronteiras da academia, não se tornam parte de um modus operandi analítico que opere uma transformação no olhar da realidade e não no formalismo da análise. Grosseiramente falando: Falta formação pros Marxistas.
Conseguiu-se nas fileiras marxistas um modelo de discurso, mas não um modelo de análise. E pior, produziu-se um modelo de discurso estratificado, existem graus hierárquicos deste modelo, de maior ou menor complexidade, mas em todos eles existe uma linha de raciocínio que acaba igualando-os. Todos eles são quase repetidores de uma fórmula de análise do real que mal compreende a idéia de contexto.
No topo da piramide hierárquica estão os acadêmicos ou assemelhados da burocracia dos partidos que produzem sim análises com riqueza teórica, com profundidade analítica e estes sendo os exemplos de que há uma fuga do monolitismo dogmático no marxismo.
Só que esta fuga é aparente, é até falsa, porque o marxismo militante  não tem acesso a este grau de reflexão e de ensino teórico, ensino mesmo, como se faz nas universidades. Ai você tem no dia a dia o mesmo e velho, modorrento e inútil marxismo de galinheiro cotidiano, que no fundo é a repetição de mantras proto-ideológicos inspirados em Lênin, segundo a interpretação semi-religiosa de algum marxista mecânico qualquer espalhado no vasto mundo da burocracia militante.
A riqueza da teoria em Marx, que propõe muito mais do que os manuais práticos, e por vezes patéticos, do “militante bolchevique” se perde ai,neste ralo e  pirâmide que separam não só o joio do trigo, mas o rei da teoria do mais besta peão da Grande Religião Vermelha.
É por isso que quando aparece o Zizek ele vira tábua de salvação, mesmo que ele no fim da vasta conta não tenha sido muito, digamos, novidadeiro em nada. Zizek saindo do lugar comum do mecanicismo vira gênio. Calinicos, Gonzales, Chris Harman idem.
 E ainda fingem não ver Marcuse, Thompson,etc, que tornam esses ai, na humilde opinião do blogueiro, os Diguinhos do Meio campo do Marxismo, põe eles no banco fácil.
Não citei Trotski, Rosa, porque estes são hoje mais mitologicamente repetidos do que lidos ou alvo de reflexão, salvo pelos sumos sacerdotes do Mosteiro bolchevique.
Não entrei também no universo teórico que vai além da Grande Religião Vermelha porque isso aí é uma discussão mais ampla, muito mais ampla e faz parte da própria revisão do que é a ação da teoria Marxista no mundo pós-moderno ( foi o que me veio,desculpem a má palavra, ok?).
A Esquerda perde terreno a olhos vistos, a esquerda marxista idem. Existem diversas possibilidades de explicação do fenômeno, todas elas a meu ver se cruzam quando analisam a burocratização dos movimentos e a perda do humanismo central à qualquer ideologia de esquerda. Desta forma é fulcral que avancemos na demolição dos muros que nos prendem a um formalismo teórico que gangrena o tal adjetivo “científico” que acompanhava a palavra socialismo.
É mais que hora da Esquerda se rever teoricamente, sob pena de tornar-se cada vez mais uma Grande Religião Vermelha e cada vez menos uma ferramenta de transformação do mundo.
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