Reitor Rodas
A invasão do Campus da USP pelos nobres Policiais Militares recebeu apoio dos clássicos reaças e inclusive de parte da “intelectualidade” de “esquerda”, notadamente ligada à Biopolítica e à  “Nova Esquerda”, apoiando isso em nome de um moralismo legalóide. 
Esse legalismo esquece uma máxima humanista: “Nem tudo o que é legal é legítimo” que se não me engano um tal de Erasmo escreveu mais ou menos no período citado pelo Mário Maestri neste  belíssimo e fundamental texto. E este esquecimento vem sem notar o quão contribuem pra destruir coisas que são muito mais do que pensam suas rotundas bundas criadas a leite de pêra.
“São duas leis?”
Ai dizem coçando a barriga: “Mas nego acha que são dois mundos? duas leis?” é fio, é isso mesmo, é isso porque é preciso que assim, seja para que o conhecimento seja produzido, debatido sem que funguem em seus cangotes a ideologia passeante com o coturno costurado com o brasão imperial do momento,  para que o conhecimento tenha a liberdade de destituir reis se preciso for. 
Isso acontece na mesma semana me que descubro que nas colonias espanholas e inglesas se investia em universidades para que as lideranças pudessem “guiar a massa ignóbil” e me perguntava porque os lusos não entendiam da mesma forma que os Espanhóis e Ingleses, a necessidade das universidades. 
Qual era o projeto que impedia aqui o mesmo que nas demais colônias? Ai o “Arcaismo como projeto” me veio à cabeça.. O projeto é o Arcaísmo e é encarnado num fato simples: A Polícia militar surge no Brasil antes das Universidades.
Isso obviamente não é escrito com nenhum intuito de defender um “destino manifesto” de mediocridade  que o Brasil possui  se comparado às nobres e peleadoras nações latino-americanas e ao paudurecente Tio Sam, mas pra ressaltar  que a PM hoje surge antes mesmo do projeto de nação chamado Brasil e coma missão clara de manter na linha o  “populacho” negro, pobre e sujo e quem mais ameaçar a ordem unida do “donos das capitanias” muitas vezes ainda hereditárias. 
Agora foi o alunato da USP que resistiu ao absurdo da entrega da autonomia da universidade de mão beijada ao coturno mais próximo em nome de uma isonomia legal que universidade alguma tem de ter como mundo exterior. Resistiu? para isso existe a Polícia militar, para conter resistências.
A autonomia universitária é para os proprietários da PM, encarnados no comandante em chefe de plantão para seguir as ordens de quem o mantém no cargo chamado Governador, e para, pasmem, parte da intelectualidade que se autoproclama de esquerda, um “delírio pequeno burguês”, um “privilégio absurdo” ou outro termo com alto grau de adjetivação que estiver à mão para desqualificar uma conquista que remonta a idade média e que tem em seu germe, em sue cerne e em sua função primordial a manutenção da liberdade da produção do conhecimento para que este ajude o mundo a manter a liberdade.
Em nome de uma “derrubada de muros” da Universidade para que ela “faça parte da sociedade” se constroem grilhões.  Estes grilhões terão um preço muito maior do que a fiança de mil reais que os estudantes presos de form absurda, abusiva e insana terão de pagar e quem o pagará seremos nós, todos, universitários, pequenos burgueses, pobres, pretos, brancos, todos.
As universidades surgiram antes nas colônias inglesas e espanholas do que na colonia portuguesa, que preferiu criar a Polícia Militar, talvez seja essa a resposta para a pergunta cíclica do porque o combate pela liberdade é mais enfático nos países latino americanos e na pátria do Tio Sam, se não é uma resposta é uma pista, uma valorosa pista.

PS: Esclarecendo um ponto: As universidades no Brasil só surgem na década de 1930 do século XX   conforme este artigo que cita a Universidade de São Paulo e a Universidade Nacional do Rio de Janeiro. Há fontes que no entanto consideram a UFPR a mais antiga, tendo sido fundada em 1912. No entanto a Policia militar é fundada como  Guarda Real de Polícia” em 13 de Maio de 1809 , e também são fundadas a Academia Real da Marinha (1808), Academia Real Militar (1810), Academia Médico-cirúrgica da Bahia (1808) e Academia Médico-cirúrgica do Rio de Janeiro (1809). Ou seja, a fundação da Polícia militar foi em Paralelo aos primeiros cursos universitários e antes das Universidades, tendo a polícia um desenvolvimento mais rápido e amplo que os cursos universitários que demoraram mais de um século para  se tornarem universidades.  

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