Nessa segunda-feira chuvosa onde Marcelo Freixo foi pras oropa porque o Estado do Rio de Janeiro é totalmente vinculado ao poder  das milícias via seu Governador e seu prefeito omissos, recebo singela homenagem e comparação do Poema “José” de Carlos Drummond de Andrade com minha opção política pública de sair do PSOL. Ambos, o poema e minha opção política, foram reduzidas ao equivalente ao último verso do primeiro: “José, para onde?”
Tudo o que escrevo aqui e nas redes sociais me parecem deixar claro que trajetória política não é bolinho, não é um reduzir do mundo ao mais simples, na é o tal “Pragmatismo” da ausência e nem a miopia da venda. 
Política, suas opções , preços e caminhos são uma complexa rede que envolve o mundo pessoal, o cientifico, o artístico, as opões de vida, as lógicas de participação que por acaso em algumas vezes podem se encaixar de forma permanente e perfeita em um partido ou pode ser mais amplo, muito mais amplo, do que as organizações.
Se fazer Política fosse apenas perguntar-se “Para onde?” o “Porque?” seria demitido.
Fazer política, e chega a ser ofensivo um militante não saber isso, é mais do que votar em assembléia, do que ir na panfletagem ou fazer abaixo assinado. Fazer política é algo que se faz no trabalho,nas relações sociais, na ciência, no sexo, no lavar a louça, na sala de aula,como aluno e como professor.
A postura política de alguém é coisa séria, inclusive para ser questionada. Reduzir um poema a seu último verso e um questionamento à política que um indivíduo toma como “Para onde?” como se fora de algum partido rotulo ou escolha coletiva o sujeito fosse um nada é ofensa das grossas. 
E é bacana e cômodo entender uma critica direta totalmente fora de um contexto como “normal” e se o alvo da crítica rebaixada cansar dela e passar a ignorar o crítico ser “autoritário”. Confunde-se muito o direito do tacar pedra como “liberdade de opinião” e o reclame do atingido ser “autoritarismo”.
A idéia de que não ser de partido, e criticá-los, ser uma ofensa pessoal não é algo isolado de efeitos maiores, a idéia de você não achar bacana uma linha de comportamento e expor isso ser uma ofensa é mato.
Pode-se pegar um poema inteiro de Drummond e reduzí-lo a “Para onde?” para criticar a idéia de sair de um partido, tornando-o o partido  única forma de militância possível. Foda-se se é uma homenagem ao artista, se é um desabafo a respeito do mundo, foda-se, se quer criticar.
Deve ser muito difícil  pra muitas pessoas se verem mais úteis fora de um partido e suas escolhas coletivas que vão pro lado contrário à noção mais básica  de honra na atuação, de construção de alternativa política, mas pra mim não.
A mim é ofensa à honra o rodo,o golpe, à percepção imbecil de uma hierarquização político-intelectual; É uma ofensa moral tratar a corrupção como eixo que fundamenta o todo das ações políticas ao contrário de uma ação que privilegie debates sobre educação, saúde, segurança; É uma ofensa politica ignorarem o quanto é imbecil e arrogante “educar as massas”, “levar consciência à classe trabalhadora” e o quanto é dogmático achar que fora do partido não há nada.
Há muito…  Há mares, há campos, há cidades, há escolas,há poemas que dizem mais do que “Para onde?”, que dizem que “O mar secou,  quer ir para Minas, Minas não há mais, e agora?”.
“E agora?” a pergunta fundamental… Como diria Lênin, “O que fazer?”. Há muito o que fazer e que sorte Lênin nunca tenha escrito o “Onde?” , porque seria pior a noção de que sem partido nada há. 
Para o espanto dos que se perdem na militância cega,  há sim muito o que fazer, e este muito  se faz em muitas coisas, formas e espaços. O partido é um deles e não, o PSOL, para mim, não é uma alternativa, nem mesmo um partido.
O PSOL deixou de ser alternativa ao optar por uma política de filiação que ignora o militante da base para colocar nomes como Periquito, Bassumas, Paulo Pinheiro, que se não foram barrados por verdadeiras rebeliões de base estão ai nas executivas estaduais. e mesmo os barrados assombram o dia a dia do cara que rala pra construir o partido.
O PSOL deixou de ser alternativa quando após seu candidato  ao Governo do Estado do Rio de Janeiro chamar o concorrente de “Ex-Gabeira” ter a aliança com o mesmo PV desta figura pública discutida no partido com grandes chances de ser vitoriosa.
Depois dessa e cansado desse trabalho de sísifo que é militar  no PSOL, de dar murros em pontas de faca e com uma crítica antiga à forma-partido como um todo,desde 2002 mais ou menos, sendo algo mais que presente em meu dia a dia,tomei a liberdade de dar um volumoso bico no pau da barraca e ir cuidar de minha vida com uma atuação que me causasse menso desgosto,sofrimento e malabarismo pra acomodar o historiador, o aluno e  o professor em algo que a meu ver é um solene monolito de incompetência e disparidade com o básico do que é de conhecimento publico nas ciências sociais. 
Em suma? de saco cheio de nego que viaja em modelos de realidade bem distantes do dia a dia e por isso jamais são alternativa ao que o PT faz, fui ser feliz dando aula e ensinando nego a usar a cuca.
“E agora?”. Agora tem aulas a serem preparadas, ruas a serem discutidas com vizinhos, trabalhos comunitários com anarquistas a serem feitos, estudos a serem escritos.  Há mais mundo do que supõe o partido. Quem não sabe disso é parte do problema e não da solução.
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