Uma das coisas boas de militar é o sentimento  de pertencimento, de mudança, de ação para a tal transformação do  mundo. Um dos problemas da militância é  envolvimento que acaba por cegar, que  acaba por esquecer que há mais elementos  que o manual não prevê na coisinha mundo e que nem todo mundo tá nessa no entendimento da  mudança e da transformação como desejo e dever humano de dar-se ao mundo social como ator protagonista da história. Tem uma rapaziada que quer fazer carreira, quer ir pra Roliúde. E nem é problema isso, viver de política é tão legítimo quanto viver de sexo, de fazer pão ou de balconista de farmácia.
O mundo exige posturas e a tal realidade cobra-as, e cobra-as com uma percepção da tal coerência e isso é fundamental pra qualquer Juarez da vida saber e viver no dia a dia. Em caso de política a tal coerência  é o tal  fio de bigode que se transformou, pela mudança da tal tradição inventada de cada dia, em algo que podemos chamar de honra à “calça que veste”, de não deixar o interlocutor “vendido”, de saber que se não sabe brincar não brinca, ou na visão pleiba, não desce pro play.
No contexto atual da esquerda e de minha vida rolou uma crise no relacionamento entre o Militante, o Carioca e o Historiador. Os dois últimos tavam de saco cheio com o tempo perdido pelo Militante em causas que estavam nítidas que não rimavam lé com cré com a teoria do Historiador e mais ainda, ofendiam solenemente o tal orgulho do raivento Carioca que “não tem otário escrito na testa”.
O Marxismo do Militante era de tal forma “adaptado’ que fazia o historiador ficar puto com as acrobacias teóricas pra fazer o que este estuda caber no que o militante tinha de aceitar e defender como Marxismo em Partidos e causas. O Carioca ficava puto quando ouvia que tinham de levar “Consciência à classe trabalhadora” imaginando se ele tava maluco e o Rio tinha sido ocupado por zumbis do Romero e só ele não via. 
Nesse ínterim rolou uma reunião pra arrumar o esquizofrênico e quizumbeiro Ego e tudo deu certo na transformação do militante em serviçal dos demais. Assim o Gilson saiu dessa entendendo melhor a consciência da relação política das  rapaziadas chamadas por vezes de “classes trabalhadoras” por gente que mal a  entende ao ponto de chamá-las de “sem consciência”. Saiu dessa pela leitura e a velha e boa empatia da discussão ,que vem depois da zoação clássica de um torcedor de time A sobre o do time B, ao entendimento de como é consciente e clara a relação da troca de voto por cimento, e como se dão as relações entre poderes, lideranças nas favelas, bairros,etc…
Nessa brincadeira chega a ser hilário chamar de “sem consciência” quem sabe exatamente como se dá sua relação de troca, invariavelmente existente em toda forma de relação de poder. E quem acha que tem consciência vive embananado em teorias pra justificar o injustificável  troca-troca cujo resultado palpável  ao ser dito tem menor chance de justificativa do que a laje construída pelo cimento trocado por voto.
Porque quem troca voto por cimento pra fazer sua laje tem menos consciência do quem apoia a troca de “Capital Político Diferenciado” pelo cálculo eleitoral imediato? O primeiro tem o cálculo claro da construção de sua laje, o segundo tem o calculo eleitoral volátil cuja unica segurança é a necessidade de justificar isso pro teor de seu programa político caber na manobra.
O Seu Juca quando troca seu voto por cimento sabe  que vai levar, sabe que o político nem sempre é seu aliado. Embora pela via das relações de parentesco e proximidade, até vizinhança, é mais fácil este político ser seu aliado do que o mauriçola “levador de consciência” que chega de vez em quando e nem uma quadra pras crianças faz.
O que ganha o PSOL quando troca seu capital político de “alternativa de esquerda” pelo voto e eleição de vereadores com aliança com o PV? Algo menor do que ganharia se se construísse como Partido, ganhasse lá na frente o status de alternativa e conquistasse cadeiras de vereadores com solidez e com uma política definida. Assim fez o… PT. O PT fez isso e depois fez suas alianças pragmáticas pra conquista do poder e ai está ele fazendo das suas com criticas e elogios aplicáveis aqui e ali, mas deixando como herança um capital político que ainda o mantém como topo da cadeia alimentar das opções da esquerda. Já o PSOL preferiu pegar e cortar a curva e tentar a malandragem do atalho. Só que não tem consciência que o seu Juca tem que em política não tem atalho.
O Seu Juca sabe o preço que vai pagar pelo cimento, inclusive público, pelo tribunal das ruas, da boca, da padaria, do boteco. O PT pagou e paga seus preços indo de “queridinho da América” a “Bandido Oficial”. Terá consciência o PSOL do preço de uma aliança com o PV? Terão consciência seus militantes que a filiação do Paulo Pinheiro foi a cabecinha pra entrar a aliança e a perda que isso fará no Partido? Se não tem, terão quando ocorrer. 
Os organizadores e teóricos da aliança, que são Milton temer, Chico Alencar, Marcelo Freixo,  Janira Rocha, Jean Willys, entre outros, tem consciência e sabem quanto pagarão e quanto receberão  (não preciso dizer que isso é em capital político, não em grana,né?).  Se os militantes acham bom eu não sei, mas se acham devo lembrar que o nome Benedita da Silva tem algum sentido nessa trama e quando a beneditização ocorreu, no PT, atingiu exatamente quem urdiu agora seu retorno como farsa no PSOL.  
Não é interessante que quem sofreu com a Beneditização do PT a repita agora no PSOL? Será que a ideia pra eles era não construir uma alternativa ao PT, mas uma maquina própria que havia perdido no PT? Terão eles consciência? Seu Juca tem.
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