Como historiador é dever profissional defender a abertura de todo e qualquer arquivo público para consulta e análise, como cidadão é dever cívico defender a abertura de todo arquivo público para que a sociedade seja transparente e não tenha sobre si nenhum tipo de névoa de ocultações que inibem esclarecimentos e reforçam sombras que ocultam muito mais do aparenta sobre muito mais gente do que se pensa.
Como humanista é dever de existência defender que qualquer criem seja revelado para, no mínimo, ser apresentada a conta social dos atos políticos  levados a cabo no passado sob quaisquer títulos. Como socialista é dever político assumir a luta pela revelação de tudo o que se fez no passado sob o nome de “salvação da pátria” e cujo ônus criminal só quem pagou foi a massa torturada, processada e presa que defendia apenas um lado das ideologias em conflito.
No âmbito pessoal que oculta seu passado é tido nas ruas da mui leal Ciudad de San Sebastian do Rio de Janeiro como traíra, quem esconde o passado deve, diz-se. O argumento de que a abertura dos arquivos mostrarão também crimes da esquerda sói esquece coma  cara de pau mentirosa de costume que a esquerda foi punida, torturada, presa e aniquilada soba s botas militares que foram anistiados de crimes pelos quais  sequer tiveram a coragem de responder e se defenderem. O argumento dos arquivos incriminarem a esquerda se esquecem de forma leviana de que esta foi punida, por vezes com a vida.
O argumento da “pacificação” via anistia é mais falso ainda, pois parece não ver diariamente repetidas manifestações de louvor a períodos ditatoriais e mesmo à tortura como meio legítimo de embate polítoco e o resultado nas delegacias e aparatos policiais da manutenção da tortura como técnica de interrogatório. A tal pacificação lembra a das UPPs, só quem fica em paz é quem sempre esteve no alto do púlpito da opressão, quem a sofre jamais vive em paz, nem consigo mesmo nem com o prestar de contas amplo com o passado.
Nenhum governo, nenhuma estabilidade política pode se sobrepor à necessidade de libertação civil, humanista, política, histórica de um povo que presta contas com seu passado. Não construir uma comissão da verdade no Brasil, seguindo exemplos que vão de países latino americanos que passaram por ditaduras à França e Alemanha pós segunda guerra, é manter a sombra hipócrita e covarde  da mentira sob o passado do país, mantendo tensões e inverdades que mancham toda a sociedade civil e militar que passou pelos anos de chumbo e inclui no mesmo saco de gatos apoiadores e criminosos, além de criminalizar resistentes.
É preciso ir além do pequeno jogo político que mantém uma falsa estabilidade e ter a coragem de cumprir o dever de estado de revelar o passado do país, ao menos isso.
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