Lendo a Caros Amigos de Julho , que lerdamente leio até setembro para enfim pegar a de agosto, vejo um artigo de Emir Sader criticando, com razão, a critica rasa que a extrema-esquerda faz ao governo e à opção governista. No mesmo artigo a critica que seria excelente cai no tão raso quanto triunfalismo  do apoio popular como medida de todas as coisas e que lava mais branco ocultando todas as cagadas e todas as criticas, as rasas e as que fogem do raso e são benéficas.
O importante é governar e reduzir a desigualdade e ponto, o resto foda-se. Qualquer critica que sustente uma observação de que a redução da desigualdade não é exatamente sustentada ou pior, não tem garantia de um caminhar perene e que seja acompanhada por transformações no estado que vão da educação e saúde ao cuidado com o meio ambiente e direitos humanos.
Porque to falando disso? Porque o triunfalismo por vezes inibe a crítica e na maioria das vezes na blogosfera oprimem a crítica.  Sader no artigo desqualifica todas as criticas baseado no percentual de voto e as faz tábula rasa porque existem, podem até ser maioria, criticas que ignoram as transformações que o governo petista fez, mas existem também criticas que não ignoram as transformações, mas as põe em perspectiva diante de como mantê-las e mais ainda do que não foi transformado e sofre recuos.
Esse comportamento de Sader é repetitivo, o que me faz evitar lê-lo dado o alto grau de panfletagem acrítica que o nobre professor, que com certeza é melhor professor e pesquisador do que colunista. E além de repetitivo é seguido por outros veículos concretos ou blogosféricos (Neologismo, sir!).  Essa inibição de crítica aliada ao panfletário e ao triunfalismo é prima direta da dupla ação de silenciar o apontamento dos erros do Governo e  Partido, pela direita ou pela esquerda, como o de desqualificar qualquer viés de disputa de espaço pela esquerda, seja essa esquerda de fora do PT ou de dentro do PT.
Criticou? “só pode ser PSOLista”! Sacou?
E no mesmo artigo de Sader o apoio popular é citado como arma e moeda maior que traduz o fuderozismo da opção política do homem, esse mesmo apoio popular, e método de discurso e análise, que levava o Governo federal em 2010 apoiar com o exército a ocupação do Alemão no Rio de Janeiro e defender em propaganda eleitoral a expansão das UPPs Brasil afora.
Ano passado qualquer crítica à ocupação do Alemão como era feita era tratado como Sader trata a critica ao Governo pela esquerda. Qualquer apontamento de como são as ocupações, como é o projeto político das UPPs era tratado como “irrealismo”. As práticas do projeto político e policial das UPPs, um projeto de cidade também, de cerceamento do ir e vir do povo e postura de síndico para com eles com impedimento de manifestações político-culturais, invasão de privacidade, violência e por vezes alto grau de corrupção com emulação das milícias, eram ignorados em nome da libertação do “povo” em nome do fim das desigualdades, do governo de “todos”,etc..
As violações que o Governo do Aliado Cabral com sua PM e o Governo Federal, com seu exército, faziam eram jogadas pra debaixo do tapete em nome da transformação que o governo “Reconhecido pelo povo” fazia no “Brasil Grande” e todo apontamento da esquerda radical, até mesmo dos que desta esquerda eram e são queridinhos pelos “Progressistas” como Marcelo Freixo, erma ignorados e silenciados para tanto apoiar o Aliado Cabral quanto pra fingir não ver cagadas que eram endossadas pelo projeto político “reconhecido pelo povo” em nome do futuro do “Pra frente Brasil”.
Agora que o Exército finge estar enfrentando o tráfico pra passar o volumoso rodo de seu ancestral autoritarismo por cima da população do Alemão, que deixou de ser vítima do tráfico e virou um entrave pro projeto de doma que o aparato estatal tem para com ela, o silencio “progressista” é eloquente. 
Da mesma forma o triunfalismo Saderiano que é mais rápido no gatilho para desqualificar o que chama de “extrema-esquerda” não se transforma na ira santa necessária para a denuncia de mais um capítulo de um projeto autoritário de segurança endossado pelo poder do Governo “De todos” petista, projeto esse que é useiro e vezeiro de uma prática de censura à manifestações culturais, práticas de imposição de manifestações artísticas como mais ou menos válidas, samba pode, funk e hip hop não, vigia do direito de ir e vir, toques de recolher,etc.
Sader está certo em criticar a ausência de uma critica que olhe o real por parte da extrema-esquerda, mas falha redondamente ao não usar esta mesma crítica com relação à própria visão e a dos como ele apoiadores da opação governamental pelo “Pra Frente Brasil”,os vulgos “progressistas”, e falha redondamente ao tornar todas as críticas da esquerda radical como iguais ao que condena.
Outra falha corrente em Sader e nos amigos “progressistas” está na velha e boa redução do “popular” ao voto, ignorando o alem voto, o dia a dia e o que o povo é e quer, para além de reducionismos. As ocupações dos morros “salvaram” o povo de um tirano pra por outro no lugar a soldo do estado. Este tirano é pago para manter a cidade Olímpica no seu devido lugar, como o projeto de cidade de Pereira Passos que levava o pobre, que é como podre, para longe dos jardins da elite e controlado por uma polícia dura na queda e que escolhe até com que calcinha a moradora pode ou não sair. 
O povo não queria o tráfico, mas com certeza não quer a PM cagando regra ad infinitum numa implantação de uma ordem não negociada em seu quintal. E quando o exército impõe toque de recolher ele invade o direito desse povo que apoia o governo, mas não recebe de volta a mesma consideração.
O povo é muito bom para votar e dar o “reconhecimento popular” via urna que alimenta desqualificações rasas dos articulistas panfleteiros, verdadeiros Olavos de Carvalho Às avessas, mas é um entrave quando começa a resistir a mais uma ocupação militar que o desrespeita. 
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