A vida não está a venda, mas parece que governos, empresários, jornais e TVs discordam. 
A ideia de educação posta na mesa é a de treinamento para o trabalho; Jornais e revistas publicam “estudos” e “orientações” de “especialistas” que dizem que quem muda de emprego é mais infeliz, que temos de dizer por patrão quando namoramos pessoas do trabalho, que temos de confiar na empresa nossos assuntos pessoais, que a empresa tem todo o direito de fuçar nossa vida pessoal, inclusive nas redes sociais; Telefônicas e Operadoras de TV e banda larga tratam nossa comunicação como se fosse uma dádiva pela qual pagamos pra ter, permitindo toda sorte de abusos que impedem nossa livre utilização da tecnologia e do serviço, público e sob concessão diga-se de passagem,  a contento, como agravante de atendimento e prestação de serviços piorarem se o cliente é de baixa renda; Os Governos e agencias “reguladoras” ignoram toda a sorte de mau atendimento e prestação de serviço e aumentam a presença das teles e outras concessionárias  como a Light, no mercado, priorizando a presença de empresas privadas e péssimas fornecedoras em planos como o PNBL ou o Luz pra todos. 
Esses são apenas alguns elementos elencados pelas recentes experiencias pessoais com os assuntos de cada chiadeira. A vida em vários níveis é posta sob o tacão de uma tecnocratização do viver e sob o critério do mercado, cujo serviço é prestado de acordo com o pagamento e de acordo com os interesses da prestadora.
Como eu vendo a força de trabalho a empresa tem o direito de usufruir minha vida como lhe convém, dando pitacos, “orientando” o viver. Com eu pago pouco meus serviços de luz, telefonia e internet, quando existem, podem ser piores e com atendimento pior. Comi eu não moro nos grandes centros ou nos centros dos grandes centros posso ter os planos de governo terceirizados para que a execução seja feita de forma mais barata e de qualquer jeito, já que conto menos no bolo de faturamento e não tenho muita noção de como é um serviço bom, seja de energia elétrica ou banda larga. Como eu sou só voto não preciso, e nem posso, reclamar do que acontece no dia a dia do governo com relação à regulação de serviços que atingem meu dia a dia, pois o mais importante é o “progresso” do país.
Daí Belo Monte tem de acontecer porque o país precisa, e o país pode mandar miseráveis e índios para a casa do famosíssimo caralho, eles são restos e perdas aceitáveis para o desenvolvimento. Assim o Plano Nacional de Banda Larga pode ser entregue às mesmas Teles que tratam o cidadão como um estorvo, o atendem de forma ridícula, lhe dão serviço falho, porque é pra pobre que nunca teve acesso e nem vai perceber que é tratado como lixo. Da mesma forma a Copa 2014 tem de acontecer porque é melhor para a imagem do pais no exterior, foda-se se pobres tem de sair da frente, serem jogados que nem lixo na casa do famosíssimo caralho, sem transporte, água, luz, internet, nada. E por um parcial fim eu tenho de aceitar que meu patrão seja uma mistura de pai com grande irmão, porque cê sabe,né? Emprego tá difícil.
 A educação que deveria ser a formadora de pessoas, cidadãos para uma sociedade justa, plena e com consciência do que é é um produto secundarizado, um treinamento de trabalhadores, uma formatação de não-gentes suscetíveis à crença imediata na palavra de especialistas e pastores, patrões, deputados e prefeitos e dóceis e obedientes cordeiros na fila indiana do dia a dia. Os professores são proletários das letras, que ao invés de serem uma massa crítica de formação são treinados de modo geral a serem uma massa de repetição da negação do esforço intelectual do aprendizado para a criação de robôs programados, jesuiticamente orientados à decoreba irrefletida.  Massacrados os professores, proletários da educação, são todos os dias mau pagos, mau vistos, tidos como párias, tidos como mercadorias indesejáveis, porém necessárias, nesse mundo supermercador de ilusões.
A escola é uma necessidade chata voltada apenas pra tornar o individuo apto a ser mandado e por isso ele odeia aquele que todo o dia vai a ele encher o saco. E por isso ama os heróis do fogo, os heróis da pátria em suas manifestações, enquanto o professor é um sujeito que quando não reclama é péssimo e quando reclama atrapalha o transito.
A vida é vendida por várias esferas da sociedade, governos, empresários, jornais e revistas. Nossa vida é vendida e viramos boiada caminhando a esmo.  A escola que deveria nos formar virou curso de especialização em ser boi, os jornais e revistas são meios de propaganda da ideia de que somos bois, nossa luz e internet são geridos por empresas que nos tangem como gado quando nos presta seu mau atendimento, os governos nos tratam ou como idiotas ou como sacos de pancada quando reclamamos. A obrigação dos governos virou dádiva, a obrigação das empresas virou produto, a obrigação dos jornais virou exceção.
A resistência a isso ainda existe, está por ai, mesmo que partidos de esquerda ainda permaneçam achando que são a luz a um povo que precisa ser “conscientizado”, mal sabendo perceber que a inconsciência está nas cúpulas burocratizadas que não vêem nem seu povo filiado quanto mais o grande povo que está aí só precisando ser ouvido. A resistência à venda das vidas está nas ruas, na nossa cultura, na nossa polifonia. 
Para ouvir a resistência é preciso cuidado e calma.Cuidado pra não cair nos cantos das sereias que com belos discursos, e por vezes atuações, escondem autoritarismos e hierarquias que nos aprisionam e Calma para não assustar com o desconexo barulho que vem a nossos ouvidos. Não, não é caos, é a voz da vida, da polifônica vida coletiva, onde a síntese é autoritária e cujo objetivo maior é ser múltipla.
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