Duas frases são meio comuns na esquerdolandia: “A práxis é o critério da verdade” e “Estamos perdendo o bonde da história”. 
Bem, a  práxis é muito mais que prática, inclui método, ideologia e como isso se mistura na criação de condições para a existência da sociedade ou, na modesta opinião de vosso escriba, da existência de uma estrutura social segundo determinado conjunto de práticas, métodos, ideologias e cultura. Grosso modo a tal práxis é sim o critério da verdade, sendo que esta verdade o é para os usuários da tal práxis, e isto não a torna universal, dadas as variáveis de métodos, linhas ideológicas, cultura,s presentes na sociedade e no próprio espectro da sociologia. Escrevi isso tudo pra dizer que quando me saltam esta frase, mais fácil de ser dita que “psiu”, saco logo do coldre a resposta:”De qual verdade cê tá falando?”. 
Não sou exatamente uma anta e nem o mais sábio, estudado e gostosão telectual dos planeta, mas dou minhas cacetadas.E faço o tal questionamento numa boa, porque um tanto de coisas são ditas sob o pano de marxismo que muitas vezes viram mantras sem significado. Tomam a práxis como dada e não como um elemento inclusive a ser entendido e variável dentro de algo tão complexo quanto uma sociedade e mesmo no que tange à complexidade do universo ideológico da esquerda.
A esquerda socialista e marxista, sem contar que existam socialistas não marxistas, é muito mais complexa e variável do que gostaria de ser e até de aceitar.Duvido muito que um militante do PSTU, do PCB, do MTL, do Enlace, do PT e do Revolutas tenham uma linha reta de categorias marxistas que aceitam e tomam para si como válidas para seu processo analítico da realidade. Chego a pensar que se bobear podemos criar uma linha que colocaria como opostos duas vertentes do pensamento socialista marxista e entre elas diferenças cujas gradações não são bolinho. E ai estou me prendendo explicitamente à quem se reivindica marxista e que considera práxis uma categoria relevante. Nesta linha o próprio entendimento de práxis seria diverso, e todas utilizariam metodologia marxista.
Então, se mesmo na esquerda socialista o entendimento de práxis é diferente nos mais diversos grupos e linhas teóricas do marxismo, imagina fora da esquerda socialista. A práxis continua critério da verdade em minha modesta opinião, mas a verdade é que são elas.
A verdade é algo tão variável quanto as interpretações da história e do que é práxis e por isso o tal “bonde da história” que tantos perdem, ou acusam uns aos outros de perder, fica meio vivendo em um samba do afro-brasileiro levemente atordoado, o antigo samba do crioulo doido.
Se perde mesmo o tal bonde da história? O que ele é? isso é um jargão pra dizer que uma corrente ou linha teórica tá ali mamada na beira da estrada sem eira nem beira ou significa algo mais? Bem, considerando que a história é um treco mais complexo do que uma linha de bonde ou um trilho reto a seguir a metáfora tem entendimento claro de perda por algo ou alguém do momento certo para agir dentro de sua práxis e estar de tal forma na crista da onda dos movimentos do dia a dia que sua compreensão se torna quase que luminosa para as tais “massas”.
Alguém hoje perdeu o bonde da história com sua práxis? Não sei ao certo, na minha modestíssima opinião o tal bonde passou pra maioria da esquerda ou pior, o povo tava dentro do bonde coçando a práxis nuestra de cada dia e resolveu sair do bonde, descendo no ponto errado. Quem hoje em dia mantém um discurso socialista e continua dando a linha na pipa do povo, mudando a sociedade com sua práxis? Ninguém, manolo!
Se alguém te disser que tá na crista da onda pesquisa na padaria o que a rapaziada pensa da vida e se tu tirar algo der socialismo ali sem forçar a barra te dou um bolo de batata. Quem disputa no dia a dia a consciência das pessoas? quem coloca sua práxis em julgamento no tribunal das rua,s do dia a dia? E quem fazendo isso leva alguma mensagem que não seja a da aceitação do mundo, uns incluindo ai a mensagem de que é preciso lutar por direitos, outros não? Ninguém.
 A tal práxis como critério da verdade colcoa na percepção do cabra que tá olhando a festa do bonde de fora um bando de verdade com gente com belos discursos de esquerda, marxistas e que na prática não constroem condições para mudar a sociedade e no fundo querem mesmo é afastar qualquer possibilidade da galera do bonde mudar a sociedade, mantendo enquanto isso alguma espécie de nicho de mercado da pregação sobre o bonde.
Como se vai mudar a sociedade com uma práxis que busca é conquistar postos na mesma sociedade, sem mudá-la ou mudá-los antes? O Bonde da História metafórico tem mais revoltas onde negam a  forma-partido clássica da burguesia que piolho em mendigo e o que as formas-partidos burguesas fazem com sua práxis e belos discursos marxistas? afastam essas mudanças com práticas anti-democráticas, ignoram demandas da população pra rua e pelegam na caruda, optando pela via institucional que, pasmem, mantém a tal sociedade, a tal estrutura social que os discursos dizem querer mudar.
Como critério da verdade essas práxis me dizem que a tal verdade nem curte muito este bonde da história e no fundo quer é saltar dele o quanto antes. Enquanto isso no bonde o grito é do bonde sinistro, o bonde do terror, cada vez mais fascistas, cada vez com mais gente adotando sua práxis. Do lado da esquerda os discursos continuam lindos, mas a práxis continua afastando gente que pode atrapalhar numa retomada dos trilhos.

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