A isenção não existe, a paixão sim!
A rua é ar puro no coração de quem luta, e se todo dia o sol levanta e a gente canta o sol de um novo dia, o sol canta mais alto e melhor quando a rua é tomada por seu dono, mesmo em em numero menor do que deveria e maior do que se esperava.
A Marcha por uma copa do povo foi um momento de suspiro, de folego,de incêndio,de iniciação de rua pra muita gente e de uma vida em um modelo onde a cadeira de casa e o teclado são substitutos dos velhos protestos de ruas, canais únicos em tempos sem internet pra a indignação popular. 
Nestes tempos de twitter e Facebook o sujeito pode xingar muito no twitter ao invés de encher o saco na rua, o que é saudável, mas que talvez torne necessário uma reflexão sobre a necessidade da co-existência entre teclado e rua e mais ainda da eficácia de ambos. A necessidade de “eficiência” do protesto é medido em números de tuítes e de pessoas na rua e por isso a ausência de uma percepção de quem pode gritar muito no twitter por vezes acha desnecessário gritar muito na rua e quem grita muito na rua talvez não grite da maneira que quem grita muito no twitter curte ouvir.
A rua alegra, mas marchar cansa.. e o teclado talvez ajude a formulação de idéias mais de fôlego, mas talvez torne todos os protestos apenas comentários não lidos.. a junção de ambos é fundamental para que a cada dia mais pessoas cheguem às ruas e mais rueiros cheguem no #ForaRicardoTeixeira virtual.
A Marcha de ontem, dia 30 de Julho de 2011, foi a meu ver uma das melhores marchas recentes pois ajuda a entender o mundo sem a centralização do carro de som e  dois formatos diferentes de manifestação que por vezes entram em conflitos, mas que pra mim se complementam: A marcha organizada com o carro de som centralizador e a marcha descentralizada, “caótica” e espontânea. 
Há uma nítida ausência de saco de parte do chão para com os discursos, especialmente para com a falta de diálogo de muitos deles, mas também há uma percepção clara do carro de som (como vamos chamar a organização da marcha) que é arriscoso uma marcha sem um controle mínimo, ainda mais com o risco da PM usar nossa cara como pele de tamborim.
O carro de som é útil pra organizar a marcha, pra evitar conflitos inúteis, mas como instrumento de controle que por vezes se transforma em “comando”, ao menos pra parte da organização que acha que a marcha é de gado, entra em conflito com o espírito rebelde que caminha. O aspecto do marchador, o cara que tá pulando, cantando e curtindo o protesto, é interessante porque é dele o rompimento e por vezes o risco de porradaria descontrolada com a polícia, o que deslegitima pros demais caminhantes enrustidos a idéia de participar da marcha. Mas antes de mais nada é preciso entender o caminhante que quer ir além, que quer romper, que quer mudar. Esse espírito é o que faz a marcha ser mais do que gritar muito no twitter e por isso a organização deve ter o feeling de acompanhar isso, mesmo que com criticas à posturas mais arriscadas e agressivas de parte da heteroglossia do coletivo.
O Carro de som centraliza, mas inibe, e a inibição nem sempre é bem vinda. A marcha por vezes é anárquica e por isso talvez corra riscos desnecessários, é importante perceber a diferença e mais ainda entender que é essa diferença que faz a política funcionar, ainda mais em tempos de descentralização e capilarização da opinião via a liberdade da rede.
O dito acima é uma tentativa de análise sobre o que aconteceu quando o carro de som foi impedido de continuar na marcha devido às limitações do evento do sorteio dos grupos das eliminatórias para a copa. A partir deste momento a marcha foi feita com o “comando” a pé e dando orientações ao todo da marcha, mas parte dela se rebelou com as orientações e ocupou a pista do Aterro tornando a marcha algo “dividido” com parte em cada lado da pista central do aterro e uma “rebelião” pacífica, rompeu com o “comando”.
Diga-se de passagem que parte dos rebeldes eram os “comandados” pela figura que arrogantemente disse que “ali tinha comando”, ou seja, provocou com vara curta nego muito puto dentro da roupa. A organização foi tudo, menos centralizadora em excesso e autoritária e deve ser elogiada por isso. A questão é que o carro de som por si só como linguagem é centralizador e a rebeldia com sua ausência é quase imediata. E foi por isso que de repente levou à divisão da marcha.
A cada dia é um aprendizado depois de anos de ausência de passeatas de rua e de movimentos que buscam o crescimento delas. Talvez a “divergência” seja um sinal, uma linguagem nova, uma forma de entendimento que não precisa da convergência centralizadora.
A vivacidade de Marcha e seu protesto com alcance bem maior do que o esperado para um número que diante de outras marchas pela história é irrisório, ão sinais, são elementos de discussão, aprendizado e felicidade pela retomada das ruas e pela voz dada a um protesto que é calado pela mídia.
Em uma cidade controlada por uma mistura de estado policial miliciano e  empreendimentos imobiliários, haver quem resista, mesmo que ainda em pequeno número, é fundamental, seja ele centralizador no Carro ou anárquico no chão.
PS: Não falei das marchas pela liberdade ou das vadias porque não conseguir ir até elas. Mas elas podem ser incluídas facilmente na análise acima, a colocação de que foi a melhor marcha em tempos é impressionista.

PS2: Vídeo que fiz da Marcha:

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