A política é por vezes a arte de negociar com extremos, a arte de engolir sapos, pra muitos a forma mais importante e por vezes os fins justificam os meios,  num uso limitado de Maquiavel. 
A política dentro dos domínios burgueses, das instituições, muitas vezes é uma política cuja forma é mais importante que o conteúdo ou, para não cair no vitimismo da incompetência, cuja forma é tão importante quanto o conteúdo e cujo leque de negociações é por vezes mais amplo do que o que sugere àqueles que entendem política como parte da luta de classes.
Um de meus maiores defeitos para a politica é minha raiva. Diante de situações onde a meu ver princípios inegociáveis baseados em julgamentos de valor e com valores que não podem ser rompidos são negociados, sob pena de transformar relações políticas em mero reflexo de relações comerciais ou tradicionalmente negociáveis no balcão da política burguesa, a raiva é libertada. Não quero que todos partilhem de meus valores, isso me faria autoritário, algo que desconheço em minha prática política e que me causa espécie ser chamado de tal, a ponto de rompimento pessoal. Mas entendo que qualquer relação política baseada na troca que não seja também baseada em um conjunto de valores que incluem a honra interpessoal, a honestidade, a lealdade e o “olho no olho” correm o risco de serem apenas “troca”.
A raiva é fruto da impotência diante de movimento cuja percepção de vosso escriba é a da “bola nas costas”, algo comum em política, mas facilmente perceptível quando do “olho no olho”, e talvez compreensível e mais ainda, aceitável diante da necessidade de sacrifícios em uma luta árdua. Quando no mundo virtual, esse protetor radical de covardes e vaidosos, a cosia aperta. O teclado impede o risco físico de um pau no pé do nariz diante de uma trairagem. Por isso a política real, a prática, a da assembléia tem tantas regras não ditas, baseadas em geral na proteção dos direitos de fala, de integridade física, da integridade política de processos,etc, e pouco se sai da ausência da intimidação física e/ou jurídica, em caso de uma ou outra aparece naturalmente seu inverso, pois os limites forma rompidos, as práticas degringolaram.
Se tudo é permitido não é a revolução, mas o caos que se instala e tudo começa a ruir.
Talvez uma incompetência de leitura me impeça de entender na política virtual a facilidade que entendo na política diária.E talvez por uma certa ingenuidade não consiga aceitar cálculos em política que não sejam frutos de um entendimento sincero e honesto da necessidade de sacrifícios e mais ainda, de ação de forma transparente para com o sacrificado para que este entenda seu papel no jogo. Sem que o combinado seja feito, tudo fica caro, e romper combinação é traição da grossa.
Ser o novo na política não é parecer o novo e nem buscar uma adaptação de práticas políticas diante de novas ferramenta,s mas transformar o velho. E o que o “novo” tem feito é usar o velho com roupa nova, matando seu melhor e ficando com o rescaldo do pior. Assim como se burocratizaram partidos e movimentos o virtual em breve será alvo de nova onda de burocratização, já se inicia com as medidas institucionais, isso deve ser acompanhado de uma reação de movimentos e partidos no sentido de barrar a ação estatal, mas até que ponto a reação não será uma ação burocrática, negociada e pelega do espaço virtual. As alternativas não parecem promissoras em negar a burocratização. Quando movimentos priorizam o processo, o processo burocrático, em relação à rompimentos de acordos tácitos, como a concretização de ameaças em ambiente de debate político, a cosia tá feia e aponta seriamente para uma repetição do que se condena no dia a dia político.
Percebendo ou não o movimento, o grupo, o partido, caminham para a “profissionalização” das relações políticas e para a burocratização.
Qualquer relação política cuja confiabilidade, no que me baseei para colocar a honra como valor primordial, é substituída pela burocratização e profissionalização, que impede a emocionalidade, bane a raiva, mas deixa o demolir dos códigos mínimos de convivência, não me parece ter vida longa.
Por isso a raiva é inimiga, hoje da política, e mais ainda, da política virtual, porque a raiva é rompedora, a raiva não consegue calar-se diante do que a causa, a raiva tem fome de interromper. Pra muitos é um defeito, pra mim é uma de minhas maiores qualidades. Antes mal educado do que opaco, antes ogro do que vaselina, antes honrado do que traíra.
Ainda acho que os fins justificam os meios, desde que a prática como critério da verdade seja amparada numa prática de construção coletiva com honra, com lealdade e respeito mútuo, algo tão presente no cotidiano da tal classe operária que buscamos representar que fico assustado dos nobres colegas da esquerda não entenderem o quanto é básico, para uma galera onde o compadrio ainda pesa como laço forte de solidariedade entre pessoas de um grupo, a lealdade, o respeito mútuo, a amizade, o desarmar e a proximidade no dizer, no sentir e no olhar, olho no olho, juntos para frente.
Em uma vila, um morro, quando o os laços de confiança são quebrados, a primeira coisa que acaba não é a opressão, mas a capacidade de resistência à ela. Toda reação à opressão, toda indignação, é santa, para acalmá-la só , antes de mais nada, a confiança, sem essa é melhor separar.
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