Volta e meia no maravilhoso mundo do dia a dia político surgem novidades, novidadeiros, “novos” e “velhos” no Fla x Flu interminável e imponderável da imaginação humana, do slogan e do blabláblá festivo nosso de cada dia.

Com o advento da tecnologia ao alcance de todos a Politica ganhou sua versão High Tech com o “política 2.0” nova panaceia que ao utilizar ruas movidas a Facebook transformavam a  experiencia prática de marchas que percorre o seio das lutas da humanidade a partir do século XIX em uma obsoleta Política 1.0, que é a política sem twitter.

Nunca antes na história desse país se inflamou tantas discussões com mais um Fla x Flu interminável sugerindo hierarquizações “novas” entre métodos “novos” e métodos “velhos”. Como o excelente texto do Passa Palavra já adianta procês um breve apanhado histórico das lutas da humanidade e das lutas desta contra os processos estagnadores e burocratizadores desta mesma luta, passo adiante pra analisar um pouco o fetichismo da ferramenta, questão que roda o cérebro pós-moderno dos defensores desmemoriados de uma nova política mais velha que andar pra frente.

Um velho e grande amigo costuma dizer que precisamos na esquerda ler mais Gilberto Freire e menos Marx, não desmerecendo nosso amado barbudão, mas ao contrário, incluindo a análise de cunho mais antropológico e com o intuito de conhecer o povo brasileiro, e porque não, travar uma nova abordagem do dia a dia político, substituindo dogmas que analisam o político via macro por uma bem encaminhada rede de relações entre macro e micro que ao fim daria a esta esquerda uma percepção do global com noção de escala, e mais ainda, com uma percepção acurada da realidade a ponto de nos permitir táticas e estratégias novas para o derrubar do capital. Da mesma forma sugiro a leitura de Thompson, Foucault, Evans-Pritchard e dos Brasileiros Karina Kuschnir e Moacir Palmeira, por exemplo, como forma de melhorarmos nossa dura caminhada para a emancipação da classe trabalhadora, ou das classes trabalhadoras (Ou outros ous que ficam por aí  por fora da limitação teórica). Essa defesa a meu ver é um dos principais eixos que podem fomentar uma real novidade no cenário  das organizações políticas, partidárias ou não partidárias, uma mudança do eixo analítico, não porque eu suprima Marx, que o alimente com novas ferramentas teóricas e que nos permita um ampliar o de análise do real para, nas palavras do velho comunista, “mudar o mundo” e não só interpretá-lo, como bem diz nosso velho barbudo quando zoa teoricamente Feuerback.

Há, obviamente, outros tantos caminhos, como o multifacetado mundo digital a  nos permitir ampliar o alcance da horizontalização e entender como funciona o ritmo da transmissão das mensagens e sua captação, aí entra talvez um método analítico da comunicação 2.0, o que talvez explique o charme da “política 2.0” a seduzir nossos amados comunicólogos. Há também ainda, neste mesmo aspecto o curioso caso dos nossos amigos Filósofos que tem viários caminhos a seguir a partir dessa percepção da relação do homem com uma ferramenta que o coneta a outros homens, mas sem os fios carnais da existência, entre outras coisas  que não cabem no texto.

A única questão é o doispontozerismo como nova panaceia política que a tudo substitui, e isso baseado mais na ferramenta que na linguagem e ainda atribuindo a esta “novidade” o partido das ruas e suas ocupações. Aí o slogan vira um Novo, mas um novo de agencia de publicidade, cujo reflexo no real e do real é duvidoso, não por feio, sujo e malvado, mas porque falha ao propor alternativas realmente novas, inclusive de qualificação e análise do real no mundo à volta.

Definir o que é novo e velho é tão arriscado e complexo quanto acertar na loteria esportiva. Porque sem o devido cuidado ignoramos redes de relações de parentesco como influencia permanente na política do Brasil, e isso é tão novo quanto a roda, chamamos passeata de marcha e a tornamos como construído nos anos 2000, chamamos o Facebook de companheiro e não lidamos com os bloqueios constantes deste à mensagens de ativistas e páginas idem e, por fim, fingimos que toda a história do movimento operário e da luta de classes mudou a partir de novas ferramentas de comunicação e repetindo a Comuna de Paris tomamos a cidade, mas não ocupamos o Banco.

Estamos em um momento em que a primavera dos povos parece se repetir, e o novo disso é que a fúria de transformação volta, e isso não é novo, mas é muito bom. A verdadeira Política 2.0 está na percepção do que quer este povo,o das ruas e o mais importante, o que não está nas praças, mas a apoia, um povo que não tem perfil no Facebook e mal usa o Twitter, mas vai na padaria e vota no candidato indicado pelo primo, alguém de confiança. O novo está aí, em permanente disputa com um velho que é mais velho que os métodos carcomido de burocracias partidárias, e mais perigoso,o verdadeiro inimigo: A rede de relações capitalistas e o que ela herdou do antigo regime. As burocracias partidárias e sua luta contra a espontaneidade das massas é razão pra uma ferrenha e nada nova disputa entre Rosa Luxemburgo e Lênin e por aí vai e passa por Frankfurt, não preciso me prender nisso. A tal Classe trabalhador,a um elemento estanque da teoria Marxista surpreendente teve a história de sua formação na Inglaterra contada nos anos 1960 e um dogma era posto abaixo, pois que classe é essa universal que é formada? Esses movimentos teóricos colocaram a novidade das ruas nas cabeças, papéis e cartas e tornaram o novo algo que vem e faz a demolição, mas não foi o livro o que causou a transformação, foi a ideia. A ideia e não o papel. Todos sabia que a ideia de Thompson, de Lênin e Rosa, as questões de Marcuse, Gramsci, as criticas à burocracia de Toni Cliff, tudo isso foi e é transformador, como outros são e podem ser, as redes são transformadoras e um ressurgimento de métodos políticos talvez semi sepultados por décadas de burocracia partidária e metodologias cerceantes de uma esquerda que sim é velha e que tem como companheira a lutar contra seu efeito mumificador uma esquerda tão velha quanto, mas que aplaude ao ser chamada de libertária a usa o Facebook em diálogo com os “2.0” espalhados por aí. A questão é que as redes são transformadora,s não o Facebook, não o Facebook, não o Twitter, parte que são da  estrutura capitalistas e de propriedade de uma burguesia que não tem a mínima vergonha de atacar, censurar e meter bronca contra todo aquele que por acaso tentar mudar realmente o status quo.

O novo é o vento do povo na rua, não o povo na rua, a rua é dele, é historicamente dele e é esforço de toda a esquerda, com 18 ou 50 anos, levá-lo até lá. Se ele é convocado pro Facebook ou telefone é outra história, e deve-se ter cuidado de não entender o telefone ou o computador como deuses de um novo mundo, quando eles são apenas ferramentas. Transformar o diferente em velho e hierarquizá-lo como inferior é tão novo quanto retirar Trotski da foto. E neste ponto a Política 2.0 se parece com a burocracia, se aferra a dogmas, reduz o arco de alianças, desqualifica discordantes e a partir de razões mais parecidas com publicidade que teoria, abrem mão de propor soluções, propondo apenas “novidades”.
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