Nos últimos meses e dias a discussão sobre as mudanças nas cidades e seu reflexo na remoção de pobres, na destruição de patrimonio histórico e no aumento das opção pelos automóveis vem em um assustador crescendo que por acaso ganha uma espécie de clímax no atropelamento de ciclistas em Porto Alegre.
Embora não diretamente relacionados, os casos da mudança nas cidades e o atropelamento são dicas para um tipo de noção vida tão contraditória a qualquer noção de sustentabilidade, mesmo da tal sustentabilidade de propaganda de banco e  programa da Marina, que levam ao mais racional e otimista humano a achar que a vaca não só já foi pro brejo como já mandou até postal dizendo como é a brejolandia no verão tropical.
A transformação modernizadora na base do trator e o atropelamento de ciclistas são radicalizações de uma opção de modernização conservadora onde o humano, o povo, é apenas obstáculo para o avanço da máquina sem nenhuma concessão à qualquer noção de social. O indivíduo, a máquina e o progresso viram uma coisa só, uma massa de força absurdamente desigual sendo utilizada para um objetivo absurdamente injusto ou cujo esforço não compensa a não ser a uma escala mínima da sociedade.
 Pode parecer forçação de barra, mas a lógica criada a partir de anos de cultura do indivíduo na cabeça da  rapaziada, sob o epíteto de competição como competencia e dualidade Looser x Winner como meta ético-filosófica máxima leva a um sujeito a cagar solenemente para dezenas de pessoas em nome de sua vontade, necessidade ou desejo. Da mesma forma administrações país afora cagam solenemente para toda uma massa de pessoas, de direitos, leis e civilidade em nome do objetivo modernizador-construtor de criar um novo “bota-abaixo” sanitarizante nas cidades, fazendo-as imagem e semelhança do sonho de consumo da elite, com a ausencia daquele povo que não usa gucci e ocupa terrenos há dias, meses, anos ou séculos, fazendo as cidades virarem cidades shopping ou cenograficas.
 Os prefeitos e o motorista saem da mesma lógica: A utilização do poder para uma meta cujo fim é aumento da desigualdade, da injustiça e a perda de vidas, o resultado final é mais importante que seu custo.
Essa é a lógica de um mundo injusto, essa é a lógica da civilização do automóvel, essa é a lógica das novas cidades, cidades sem povo, com o povo oculto, morto, atropelado.
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