A revolução no Egito ganhou tantas interpretações à direita e à esquerda que comentá-las seria escrever um tomo imenso, uma lista telefonica. Sou simpático às mais diretas ao assunto que consideram a Revolução como ela é, um movimento de massa que vai mais do que um quebra quebra na praça Tiradentes.
 Os efeitos desta revolução, no entanto, são impossíveis de prever com exatidão e os clichês superlativos otimistas ou pessimistas sobre o fim da revolução em ditadura militar e/ou queda de um “muro de berlim” árabe a meu ver são filhos diretos do mesmo equivoco, consideram tanto a revolução como fato acabado como a consideram como um fruto da mesma linha de processo histórico do ocidente.
 A população nas ruas viu o Exército por o pau na mesa e achou pequeno. Não parece achar que o poder “macho” dos homens de farda seja algo que a ameace diretamente, dada sua força como massa mobilizada, ao mesmo tempo isso não a garante como vencedor,a mas como protagonista de um filme que parece novo  aos olhos de quem achava normal tanto um ditador útil longe de casa quanto o fato de ir pra rua pra além de acordos ser um problema.
O Exército pode transformar essa mobilização em uma piscina de sangue e ossos, ou a população pode transformar o exército em um aliado, o tempo dirá! A rede de relações entre massa mobilizada e instituições, a audiencia internacional, o apoio de outras lutas, a repressão pela reação de países aliados a novo Faraó, tudo isso são fatores nada esquecíveis de um processo que está longe de terminar.
 Tudo indica que a força ganha pelas massas pode sim derrotar a ala mais reaça do exército, mas não garante, ao memso tempo nada pode indicar que essa mudança em Tunísia, Egito e, quem sabe, Argélia vá realmente levar a cabo uma réplica de 1989, e mesmo que aconteça não dá pra cravar que será algo além da farsa Brumarista.
É preciso estar atento e forte, não há tempo de temer muita coisa, nem de festejar bebendo demais e acordar na ressaca da derrota. O Egito não fará uma queda de “muros de berlim”, fará sua própria história, seu próprio muro, sua própria trajetória, que de qualquer forma, renova as almas militantes diante de um “Yes We Can” sem terno. 
 Enquanto o mundo explode e estamos na lida, egiptemo-nos! Mas sem o ceticismo que imobiliza ou o otimismo que relaxa, apenas com a força que transforma, mas não tenha medo: Egipte-se.
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