No último mês fomos bombardeados por uma enxurrada de homofobia, racismo, xenofobia, sexismo e outros hábitos reacionários menos cotados. Desde a abertura do esgoto da campanha de José Serra estamos vendo o pior de um país sair das latrinas das redações, das casas, faculdades e igrejas.
Somos vítimas de processo semelhante ao ocorrido nas cercanias do inicio do século XX, principalmente entre 1930 e 1940, e vitimas da mesma divisão entre democratas e esquerda, e entre a esquerda. As declarações de homofobia, racismo e xenofobia nas ruas, nas redes sociais da internet são semelhantes às posturas reacionárias que descambaram no fascismo. A divisão da esquerda, que prefere uma luta hegemonista e um debate raso, com inclusive um sectarismo que vai do PSTU ao PT, passando pelo PSOL e PCB, e que ignora o fato de sermos a cabeça de ponte da luta anti homofobia, anti racismo e  antifascismo, chega ao nível do imobilismo.
Enquanto estamos imóveis o mundo explode, e enquanto o mundo explode as divergências legítimas entre políticas, alianças, governos, nos reduzem a meros coadjuvantes do movimento de atropelamento de convicções e vidas que a direita utiliza, aproveitando nossa incompetência.
Nosso atropelamento com vítima pela direita não é fruto somente da ausência de avanços mais contundentes por parte do governo Lula e de seus recuos, da cooptação dos movimentos sociais pelo governo,da  desmobilizçãoa dos movimentos sociais, da incompetência da esquerda radical em ler as ruas e sair do gueto enquanto rola a briguinha pelas pequenas salas de CAs, DAs e Sindicatos. O atropelamento é filho da miopia generalizada que despreza o avanço de um tipo de reacionarismo , em especial nos mais jovens, que ignora o mínimo de humanidade em nome da imposição, se preciso com morte, de convicções racistas, homofóbicas, xenofóbicas.
Nossos inimigos por anos alimentaram nossa impotência, nos atacaram e nos encurralaram em um misto de incompetência com capitulação que hoje nos faz participantes ativos de um Ensaio Sobre a Cegueira,mais que realista, opressor e que nos ata. 
Enquanto o mundo explode estamos reféns de nossa cegueira em abandonar os limites de siglas e de consensos máximos para lutar por um mundo democrático onde nossa divergência sobre programas e ações sejam parte do movimento de avanço do todo. O inimigo usou nossa vitória de Pirro para alimentar os monstros que achávamos presos no inferno da história.Enquanto nos isolarmos na leitura parcial do real, lutaremos contra moinhos de vento, enquanto os monstros devoram nossas bengalas, e nos prendem nas prisões de nossas convicções.
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