Sapato de elite
É comum a expressão “Esse tem berço!” em várias círculos ditos “de elite”, numa espécie de busca do Pedigree perfeito do Canil quatrocentão.Aliado ao berço outra exigência dos criadores de puros-sangue azul bebê é o da “cultura” onde vale mais falar inglês do que saber o que fazer com ele. E por aí vai a ilusão de uma elite culta, de uma elite com “modos” através dos caminhos tortos da hegemonia cultural onde os que vêem o teatro de máscaras carcomido dos reis por vezes submetem-se à empafia arrogante dos senhores, ao invés de perceberem o tigre de papel que é aquele gato pelado com miado rouco que lhe manda.
Feito pelo povo Inglês, e funciona até hoje.
Desculpem os sensíveis, mas uma elite incapaz de perceber a flexibilidade da cultura, da realidade, presa a critérios “de sangue”, “de origem”, por vezes de raça, na maioria das vezes, demonstra com eloqüência uma ignorância, ausência total de cultura, e no dizer da Velha Violeta, de Educação, de fazer corar qualquer Zé Médio de roça ou de subúrbio a oferecer café para as visitas.
Na minha terra desdenhar da inteligência alheia por causa de estudo era de uma deselegância de matar pedra. Da mesma forma qualquer manifestação de preconceito de raça ou de familia era falta de educação e era punido com surra de cinto ou castigo feio. E por aí a vida foi a me ensinar, inclusive de braços dados com a antropologia e a história, graças a deus, que é preciso relativizar tanto a noção de sabedoria, retirando-a inclusive da gaiola da institucionalidade, como a noção de pureza cultural, artística ou  de origem ser uma estupidez que engessa tanto a manifestação da criatividade humana, e de recepção, que deveria ser crime inafiançável.
The Clash
E aí me vem a velha elite pagando pau de engessadora da história, da sensibilidade e do real, cagando goma de “educação’ pra lá e pra cá, desprezando a inteligência do povo (que a usa e precisa mais dela que as dondocas em rebanho pelas DASLU) aqui e acolá, determinando o que eu leio, ouço cheiro, como ou pinto? Se fuder Maracangalhas!
Gas-Pa
 Tá pra nascer quatrocentão mais fuderoso que Luiz Gonzagas (Incluo o Junior)! Tá pra nascer cabra mais sabujo e sabido que Cartola!  Há mais genialidade em João do Vale do que em qualquer Maestro e ouso dizer que cada gota de Clash e Gas-Pa paga mais pau em arte do que trocentos Caetanos! Cometo o mesmo erro? Pode ser! Mas é de empombar o saculhão a propagandeada cultura de uma elite que estaciona sem entender nos Mozart, nos Goethe, nos liberais de antanho e no chiquê de fancaria do velho neoliberalismo pra empoar pauladas racistas, machista e o caralho a quatro em cima dos candidatos da esquerda ou ligados a esta. 
Sem falar no proverbial desprezo ao povo e sua compreensão do mundo com menos ferramentas e mais sucesso direto que a média de playboys bundões a cagar de medo pelos escuros mais claros do mundo, e que enchem os olhos de quem ama as urbes de nosso mundão varonil, que ainda é velho  sem porteiras.
Elite de merda que ignora Challoub e Da Matta, Nirvana, Rappa, Elomar,e lambe migalhas de mediocres intelectuais anti-botecos via jornalecos e seus saberes que sujam os dedos.
Elomar
A cultura média da elite embotada e preconceituosa não enche nem uma mesa média de boteco na Lapa ou em BH, e não por incapacidade, mas pela escolha de isolamento que tira o mundo da frente e limita a análise a repetecos papagalli por salões avarandados.
Culto é o olho aberto pro mundo e desmundo. Quem se esconde do embate que se cague no colo mater.
E tenho dito!
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