A dualidade do segundo turno, forçada pela institucionalidade,  constrói um muro de fantasia que põe em suspenso uma série de fatores que vão além de pretensos maniqueísmos. 
Assim como é ilusório, tolo e analiticamente falho juntar e igualar amarelos e vermelhos, é acrítico e perigoso anular todas as questões políticas em nome do medo. Qualificar de fascista o conservador, o reacionário, tem o perigo de nos criar dificuldades quando em frente do verdadeiro fascista. Além disso é perigoso esquecer e retirar, suspender a descrença, recuos constantes do governo pretensamente “de esquerda” que permitiram avanços inegáveis do conservadorismo, algo já bem nítido quando do episódio do PNDH3, em nome de “barrar o PSDB”, palavra de ordem que salva governo e Partido dos Trabalhadores  de qualquer ônus de suas posturas em nome da “governabilidade”,que auxiliaram avanços das frentes anti-aborto, de recuos no Estatuto da Igualdade Racial, Plano nacional de direitos humanos,etc.
A cada recuo em planos que nitidamente pautavam o governo como democrático, realmente democrático, e avançado nas questões mínimas de direitos humanos e civis típicas de quaisquer países, partidos e posturas políticas filhas diretas dos avanços das revoluções burguesas, o Governo aumentava a força de grupos coservadores, que com cada vitória ganhavam capital político para agregar mais e mais membros em sua cruzada medieval. Ao negar avanços básicos da democracia, antes de serem bandeiras de esquerda, o Governo e o PT ignoraram facetas da luta pelo poder, pelo estado ou apenas pelo governo, que fortaleciam seu principal adversário, amasiado com forças conservadores que não tem vergonha alguma de lançar mão de machismo, homofobia e defesa de governos ditatoriais em nome da recuperação da principal máquina administrativa, o Governo Federal.
Após a confirmação do segundo turno das eleições, o discurso médio do PT e do governo era tanto de culpabilizar forças de esquerda que fugiam do coro de contentes dos apoiadores que se permitiam falácias que ocultavam estes recuos, quanto de forças democratas que por não serem exatamente de esquerda discordavam tanto dos reacionários quanto dos apoiadores do governo de coalizão.Além disso culpavam religiosos por adentrarem no barco anti-aborto lançado ao mar pelo candidato da mídia gorda de do recionarismo, sem se perguntarem porque o assunto nunca foi enfrentado nem de leve em oito anos de governo.
Hoje, a questão colocada como espada de damôcles sobre a cabeça da esquerda, dos democratas e dos indecisos, pelo PT é: Ou vota em Dilma ou sejam cúmplices do atraso! 
O problema da questão, embora tenha uma certa poesia, é sua falsidade.Tanto votando em Dilma ou em Serra seremos cumplices do atraso, a primeira por permitir em nome da governabilidade, que nunca funciona pra equacionar desejos e aspirações dos movimentos sociais e forças organizadas da esquerda, recuos e concessões que a cada dia diminuem a diferença entre o governo atual e o nefasto governo do PSDB.Já o segundo candidato representa mais que o nefasto govenro PSDBista, hoje ele representa o acumulo de forças conservadores, mesmo as que apoiam o atual governo,  que consideram criminalização da pobreza, dos movimentos sociais, das discussões sobre legalização do aborto e drogas, das questões contra a homofobia, ou qualquer condiçaõ de debate democrático e legítima luta por moradia, direitos humanos e civis, reforma agrária como crimes contra o avanço do capital, do consumo ou tudo o que é de interesse do capital e de uma elite que prefere ver seu povo escravizado não só na fome, mas no medo.
Outro problema ignorado na discussão é a satanização do voto nulo como anuência ou omissão diante de questões que são maiores, bem maiores do que dar a vitória para lado A ou B.O voto nulo é uma opção legítima diante de dois projetos que representam o capital, com maior ou menor sensibilidade, maior ou menor democracia, e que flertam com o conservadorismo de forma mais ou menos grave. 
Votar nulo não é eleger Serra, inclusive é tolo dizer isso porque diminuindo votos válidos ajuda à candidatura mais votada ao diminuir os votos necessários para elege-la com maioria absoluta dos votos, votar nulo é negar-se a participar tanto do referendo a um projeto nefasto, mas menos pior, quanto a referendar uma dualidade falsa, montada em parametros projetados sobre idealizações que ocultam sérios problemas do que se diz “esquerda” e sobre o medo de algo que também apoia esta “esquerda”.
A legitimidaqde do voto pelo medo é clara, existe e não pode ser negada, por isso o voto em Dilma não é nefasto, porém não é a única forma de manifestação diante de um quadro que aponta mais do que um possível retorno do PSDB, mas um recuo constante de um governo que se alcunha de “esquerda” e parece cada vez mais adepto do não enfrentamento de questões que sinalizem bandeiras de avanços empunhados pela esquerda e que namora calar-se diante de problemas como o enfrentamento do monopólio midiático, a luta anti-homofobia, pela legalização do aborto e pela reforma agrária e rubana.
A opção deste escriba é ainda o Voto Nulo, o democrático e legítimo direito de não esquecer responsabilidades. de optar pela sua em nome de mais que uma peleja entre gerentes do capital.
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