Em uma época de “dualidades” onde o preto e o branco escondem tons de cinza, somos surpreendidos por companheiros de lutas, outrora “baderneiros” conforme a mídia patronal,  nos chamando de “porras loucas” se o desafio ao coro dos contentes e ao medo pânico de vampiros e Serras for além da histeria moralista da UDN outrora vermelha e hoje de blusinha de babado branco.
Quando surgiu a candidatura Plínio de Arruda Sampaio à presidência da república,ela identificava apenas uma disposição de parte do PSOL em mudar os rumos de um partido que àquela altura buscava aliança com o PV da ex-Ministra Marina Silva, identificada como esquerda,mas que usava a lente de cândido para aliar-se ao partido do Sarneyzinho, que apoia o PSDB de Serra e Aécio,além do DEM de César Maia, no sudeste.
Onde havia uma aceitação do jogo mirando um controle do partido e eleições de parlamentares, começa a existir um vulcão de descontentamento.Uma base cansada, meio deprimida vira uma base irada e  se junta àqueles que já haviam escolhido uma alternativa,e uma alternativa pronta pro combate, radical, socialista.Com o passar do tempo as constantes negativas do PV em aliar-se ao “radical” PSOL da Heloísa Helen,levam ao crescimento da demanda interna por uma candidatura autônoma e que não cedesse a um eleitoralismo puro e simples.
 Além disso a candidatura Plínio começa a agregar setores externos ao PSOL,aglutinando uma esquerda que não usa lentes róseas para analisar o Governo Lula ou usa o medo como argumento político.Atraindo setores do MST, da esquerda independente, ressucitando militantes do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio deixa de ser um pré-candidato em busca da retomada do PSOL e vira uma possibilidade, uma alternativa de esquerda,socialista e democrática,uma esquerda que não usa muitos adjetivos contra o Governo e acaba fazendo eco ao pior de DEM e PSDB, analisa sua administração de forma a ir além da crítica vaga à corrupção, o criticando pelo ressucitar de Belo Monte, pela continuação da política de imposto regressiva, pelo repasse aos juros da dívida e ajuda financeira a Bancos e ao agronegócio em um volume onde o repasse ao Bolsa Família é menos de10% deste repasse,por uma reforma agrária pífia diante de um governo de um aliado histórico do MST.
Após uma cansativa batalha interna, pública e que simboliza uma espécie de compacto da história das lutas fratricidas da esquerda e das práticas antidemocráticas inerentes à ela, a candidatura sai às ruas e mesmo permanecendo anônima diante do silêncio proposital da mídia patronal, ganha uma espécie de combate pela, pasmem, esquerda do Governo e do PT, atribuindo os epitetos de “Porras-Loucas”,”Irresponsáveis” e inventando novamente a pecha de quintas colunas pela discordancia em cair no rame rame e no papo brabo da “volta da direita”.
Caras pálidas,é sério mesmo que um discurso que critica ponto a ponto o Governo colocando suas falhas à esquerda ajuda à candidatura Serra mais que uma candidatura Dilma que critica as ocupações do MST como ilegais em entrevistas e a cada dia recua mais à direita, quase igualando seu discurso ao do Vampiro Serra e fica em silêncio quando seu partido se junta a Aécio Neves em Minas Gerais, apoia o PMDB do Sérgio Cabral no Rio?
Quem é porra-louca? Quem adota um discurso de governo de coalização e recua no que poderia ser avanço (PNDH3 e Confecom, por exemplo), parecendo a cada dia mais com o PMDB e menos com o velho PT das bandeiras históricas da esquerda, inclusive sequestrando sua própria esquerda no direito de intervenção real nos rumos do partido e do governo, ou quem busca uma alternativa socialista, de rompimento e sim, apoia o que o governo tem de avanço,mas critica duramente o que tem de recuo?
A resposta é óbvia, e Plínio está aí personificando-a. Não como salvação mística ,mas como retorno à uma discussão política que sim, além de buscar um aumento da auto-organização dos trabalhadores e uma luta pela hegemonia do discurso socialista, também tem como objetivo tensionar o governo à esquerda,  e sua base idem. Além de servir como alento aos movimentos sociais, que mesmo apoiando o governo,vêem a cada dia cresce rum discurso que não os reconhece como parceiros,mas como estorvo.
Porras-loucas ou não, estamos aí na luta, botando o bloco na Rua e sem sectarismo convidando quem é socialista, quem é de esquerda a sair do discurso barato e sim, debater e,porque não, vir conosco, na retomada de uma política que não seja a do medo, a do mínimo e a do possível.
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2 comentários sobre “De quinta-coluna a porra-louca: A Saga do discurso socialista de Plínio de Arruda Sampaio

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