Apropriação cultural, racismo à brasileira e piração branca mancham ideologias e formações acadêmicas.

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À minha maneira eu sempre fiz parte da luta antirracista, sempre, desde sempre, foi sempre um elemento fundamental inclusive para meus estudos de história e sociologia da cultura, quando cursei ciências sociais.

Estudei bastante escravidão, muito, tentei ler o máximo sobre racismo, só parei quando as circunstâncias acadêmicas me guiaram por outros caminhos, envolvidos em outro pedaço da história que sempre estudei, que foi a Coluna Prestes.

Li textos políticos da quarta Internacional ao anarquismo, passando por textos maravilhosos do SWP inglês tratando da íntima relação entre capitalismo e racismo.

Participei de movimentos sociais de luta antirracista, mesmo sendo branco e com uma certa sensação de estar no lugar errado por fazer parte da etnia que oprime negros desde sempre, mas fui aceito e por isso participei, e sempre tangenciei e fiquei de olho no debate, porque é fundamental e necessário.

Visões da Liberdade”, “Cidade Febril”, “Trabalho lar e Botequim” de Sidney Chalhoub; “Revoltas escravas no Brasil” de Joaquim José Reis e “Negociação e conflito” dele e do Eduardo Silva; “As Camélias do Leblon” de Eduardo Silva, tudo isso me ajudou a ter um bom cenário sobre o processo de formação da sociedade brasileira a partir da escravidão como base formadora de uma estrutura cultural racista.

O debate sobre apropriação cultural eu leio pelo menos desde 2007.

Inclusive percebi a relação com a mesma categoria a partir do conceito de Representação do Chartier e entendi que esse debate permeia o que Joyce Appleby, Lynn Hunt e Margareth Jacob escrevem na introdução de “A Telling the Truth about History”:

A maior parte dos norte-americanos aceitou uma única narrativa da história nacional como parte de sua herança e esta narrativa é tratada como objetividade e essa objetividade reclamada foi usada para excluir grupos inteiros de participação plena na vida pública do país.”

Serve pro Brasil e serve pro debate em torno da apropriação cultural e em especial sobre como brancos, inclusive, pasmem, intelectuais brancos, estão reagindo a este debate.

E não, não vou nem falar da questão da jovem branca que relatou uma suposta agressão feita a ela por uma negra porque ela usava turbante.

Isso foi parte de um processo de extrema tristeza com o teor dos textos, subtextos, falas, colocações e reclamações de pessoas brancas, muitas como formação universitária de porte, doutores inclusive, que me parece que o episódio que sequer se sabe se foi real, foi apenas um catalisador de um urro de parte da população letrada branca brasileira contra o que eles consideram um absurdo: A negativa pelo menos textual de que são senhores absolutos de toda a cultura.

Como assim apropriação cultural se a cultura circula e influencia a todos? Perguntam alguns.

Se apropriação cultural não pode porque usam calças se calças são invenções europeias? Vomitam outros.

O que tem em comum as duas perguntas e a maioria dos absurdos que lemos vindos de gente branca supostamente intelectualizada, informada, militante, libertária,etc? Ignorância, e uma ignorância por opção em um mundo de fácil pesquisa e apreensão de saber.

A maioria dos intelectuais e militantes brancos ou não pesquisou ou se contentou com o básico a respeito do debate sobre apropriação cultural.

Pior, bastam exemplos escolhidos a dedos da estupidez militante de alguns elementos dos movimentos negros e indígenas que partem pro ataque individual pra combater um processo, e um debate, que discutem o sistema, para que os intelectuais e militantes brancos se sintam satisfeitos em jogar todo o debate pro lixo, toda a militância pela janela.

Senso crítico transformado em senso comum? Tá tendo.

E por que?

Poderia dar inúmeras explicações, mas racismo organiza todas.

Por que racismo explica todas essas manifestações?

Porque gente com capacidade cognitiva pra ser professor universitário, e militância de esquerda ou liberal de fôlego e muita leitura e ferramental analítico complexo tá ignorando todos os intelectuais negros, todas as manifestações teóricas negras, brancas, indígenas e europeias a respeito de apropriação cultural ou tudo o que é similar a ela e perambula na academia para sustentar que aquela utilização plena das culturas a seu bel prazer branco é direito inalienável, foda-se se o debate feito pelos movimentos negros tá cagando pro uso individual e apontando um fenômeno sistêmico de opressão.

De Djamila Ribeiro falando em apropriação cultural a orientalismos do Edward Said; de Chartier a Joyce Appleby; de Ginzburg a Benedict Anderson passando por todos os historiadores brasileiros que falam em cultura, tudo isso é lixo diante da necessidade atávica de exemplos ruins que vão de Beatles a calça comprida, além de ressuscitarem “aculturação” como palavra válida (Deus meu!) para sustentar que “apropriação cultural é bobagem!”.

Tudo está servindo para que manifeste e resguarde o privilégio branco de a tudo utilizar, inclusive simbolicamente, mesmo quando este uso não está sendo atacado, apenas está sendo informado que a sociedade branco normativa e seu capitalismo se apropria de elementos culturais de outras culturas não hegemônica para seu usufruto e lucro, ressignificando estes elementos, colocados anteriormente como pejorativos até que o uso branco os resgatasse do domínio das classes “inferiores” ( talvez também “perigosas” a partir do que se lê em Chalhoub) e estabelecesse um uso validado pela cultura dominante.

Parece difícil de entender?

A mim não.

Perceber a apropriação cultural impede branco de usar turbante e índio de usar calças? Não me parece.

Brancos são perseguidos por usarem turbantes? Se no caso de UMA PESSOA BRANCA supostamente perseguida se criou tanta polêmica eu acredito que se fosse um fenômeno realmente concreto, que possuísse mais que UM caso físico e no máximo centenas de casos em redes sociais onde os debates caem pra essa lama, como se todos os debates em internet e em redes sociais não fossem de baixíssimo nível, acho que o Jornal Nacional teria especial de trinta minutos, não?

O fato é que as exceções ao debate viraram o debate em si na ótica das pessoas brancas e essa lente faz um enorme sentido: Ela é um alarme de que quando privilégios são atingidos tudo ganha outras cores.

O que dói é que essa gente sequer se toca que reproduz opressão com seus chiliques lacradores e desinformados, ofendem, reduzem mais ainda a suposta civilização que dizem defender.

E ignoram trabalhos sérios feitos por críticos e acadêmicos a respeito da apropriação cultural do samba por parte da classe média branca carioca, que deu em Bossa nova inclusive, ou do funk que seguiu o mesmo caminho, de marginal a herói e símbolo da cultura brasileira.

É só perceber o samba, analisar o samba e sua absorção pela classe média e elite branca pra sacar o que é apropriação cultural, não dói, não mata.

Quer outra música? “Vá cuidar de sua vida” de Geraldo Filme, gravada também por Itamar Assumpção em Pretobrás I, ela é um desenho musical da apropriação cultural do samba, da capoeira e da religiosidade afro-brasileira, a partir dali fica facílimo entender.

Duvida?

Lê ai:

Vá cuidar da sua vida
Diz o dito popular
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar
Crioulo cantando samba
Era coisa feia
Esse é negro é vagabundo
Joga ele na cadeia
Hoje o branco tá no samba
Quero ver como é que fica
Todo mundo bate palma
Quando ele toca cuíca
Vá cuidar…
Negro jogando pernada
Negro jogando rasteira
Todo mundo condenava
Uma simples brincadeira
E o negro deixou de tudo
Acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca
Na escola de capoeira
Vá cuidar…
Negro falava de umbanda
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro.

Portanto quando vocês demonstram esse grau de ignorância coletiva pra justificar que se mantenha a apropriação cultural e silenciam o debate como um todo, escrotizando inclusive grandes intelectuais negros, e muitos brancos também, vocês apenas reproduzem um racismo silencioso e encubado no meio da alma branca da sociedade brasileira que t[á tão enrustido que não é enxergado.

Vocês escrotizam o que negros gritam há décadas, cantam e dançam, produzem na universidade, discutem na música, nas artes plásticas, na poesia, nos debates, na militância e tudo porque o privilégio de a tudo absorver por parte de uma elite branca é absoluto na cabeça de todos.

Quando vocês ridicularizam um debate sério vocês silenciam toda uma militância, toda uma luta étnica.

Talvez porque a maioria de vocês jamais viveu algo que era desprezado por ser do subúrbio virar chique porque foi pra zona sul do Rio. E tudo o que você viveu vendo ser chamado de tosco e brega virou chique porque outros passaram a fazer iguala você em endereços mais próximos do centro da cidade.

E isso ocorre sempre no Rio, por exemplo.

O trem do samba era basicamente algo que amantes do samba, suburbanos em sua maioria, curtiam, hoje é um evento que gentrificou-se e afasta as pessoas pobres que antes iam até o evento, a cada dia um evento que exclui os próprios moradores de Oswaldo Cruz que antes iam em peso e hoje não conseguem pagar a cerveja que vende ali, na maioria pelo contrário, trabalham vendendo a cerveja, servem os zona sul quando antes se divertiam.

Mas as pessoas tão intelectualizadas, brancas e lindas não percebem, porque vivem isso de longe, apenas leem a respeito e quando leem algo que invade sua zona de conforto… ai amigo, te segura porque o chilique é alto.

As esquerda e o Teatro dos Vampiros

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Entre as certezas e as pseudo-problematizações (que não problematizam porra nenhuma porque ignoram uma caralhada de detalhes do que pretendem analisar) o que mais me impressiona é a percepção que a esquerda tá atônita e imóvel.

A conjuntura tá mais confusa que roteiro do David Linch, aponta pra uma puta merda em torno da consolidação de um ethos autoritário e tal e coisa e carambola, com esgarçamento de pactos sócio-comunitários de solidariedade e tal, mas há brechas visíveis de enfrentamento a isso tudo, inclusive a Temer e sua gangue. Janot faz movimentos, Carmen Lúcia idem, mas esses movimentos isolados não levam a nada sem pressão popular.

Há, claro, gente nas ruas, especialmente no Rio, há o quadro do ES onde a esquerda não interfere no âmbito do discurso, não disputa discurso, mas pouco mais que isso.

No RS e RJ por mais que o funcionalismo fosse à rua e apanhasse da PM foram extintas autarquias e secretarias chave e vão ser privatizadas em nome do ajuste fiscal a CEDAE e a CORSAN, que acho que são o carro chefe da onda nova de privataria, a água,.

Faltou o resto do povo, faltou mais gente, faltou ir na direção, e não contra, o povo que foi às ruas e não era exatamente o povo mais reaça.

Mas a esquerda optou pela relação de consciente imobilidade, acreditando em uma salvação via eleição em 2018, como parou tudo acreditando em uma vitória em 2016, que não veio.

As análises de conjuntura não contemplam a conjuntura, as realidades, não analisam pesquisas, nada.

Temos uma séries de sinais, signos, representações e discursos em confronto e em curso, confrontos esses que por vezes dão vitórias à esquerda.

Familiares de PMs ocupam a frente de quartéis e parte da esquerda preocupa-se mais em “denunciar” as contradições existentes entre a repressão às ocupações de estudantes e a tolerância com a de familiares de PMs do que a de colocar de forma séria como a direita usa as táticas da esquerda em nome de suas necessidades e o quanto esse debate deve ser feito para que essa direita não criminalize os atos da esquerda.

Ou mesmo dialogando com esses familiares e seus amigos e parentes sobre o quanto o PM ali, que é representado pela família, é tão humano e tem necessidades quanto o estudante e que não, o estudante não é vagabundo, apenas está lutando por suas necessidades assim como eles pelas suas.

Precisamos apoiar os PMs e suas manifestações? Não sei, hoje eu não apoiaria, mas mostrar a seus parentes o quanto eles são injustos com quem luta do outro lado é um caminho de pelo menos criar grilos nas cucas.

As denúncias a fascistas e racistas, misóginos e homofóbicos às empresas, a própria denúncia de empresas por misoginia, racismo,etc tem criado marketing negativo e demissões de preconceituosos, cria um ambiente onde se vê que a punição pode ser pecuniária e de imagem, onde quem sofre as punições tem a oportunidade de refletir, e empresas idem.

Essa tática é uma tática que vem dando pequenas vitórias às lutas anti opressões, mas o que faz parte da esquerda com elas? Reclamam que elas por vezes dão visibilidade aos reaças.

A mesma preocupação não aparece quando se fala em Bolsonaro ou Bolsominions.

Blocos de carnaval por debate entre os foliões de fé, aqueles que vão sempre, abolem cantos racistas e homofóbicos e misóginos de seu repertório e em vez de reconhecermos isso como avanço, que poderia se espalhar para outros blocos a partir do momento em que foliões se incomodam e discutem isso com seus pares, parte da esquerda acha muito ruim um tal de pós-modernismo que só existe no discurso dela.

As análises de conjuntura passam pelo capitalismo, mas não falam da economia e suas mudanças com Trump; Passam pelo Superbowl,mas não fala da cultura pop cada vez mais combativa em relação a direitos humanos,etc; tratam da economia e auditoria da dívida, mas não trabalham com a capilarização do debate sobre economia, ecologia e necessária descentralização do poder como um todo.

Perde-se mais tempo ensinando padre a rezar missa sobre a Globo que perceber que um determinado debate feito a partir da globo penetra em camadas de discurso e cultura popular que nunca tivemos como fazer antes (Além de deixar claro que existem realizadores até na Globo que confrontam determinado discurso conservador).

Enfim, estamos em um momento de imobilidade estéril, broxa, de uma esquerda que se pretende super intelectualizada, mas no máximo é bibliófila e papagaio de autor, que pouco se encoraja pra um debate teórico de fôlego, que inclua ortodoxia e heterodoxia, que vá a fundo na análise do real e na busca de organização.

A esquerda é espectadora de uma luta política onde caminhamos pra uma instrumentalização do autoritarismo a partir da louvação da influência do exército como polícia cotidiana e lastro moral da sociedade.

Em uma perspectiva que analisa Hobbes como pai do fenômeno de entrelaçamento dos conservadores com a violência, autoritarismo e repressão em nome da manutenção da ordem: A esquerda até sabe que o homem é o lobo do homem, mas esquece que ele também pode ser o bom selvagem, e ai compra o discurso do Leviatã, largando o pacto social na mão.

A esquerda comprou o discurso hobbesiano, mas como ele entra em confronto com uma série de elementos de seu próprio ethos ela entra em tela azul.

E nesse quadro é tolice esperar vitórias eleitorais e temeridade não se preparar pro pior.

E em uma realidade onde reforma do ensino médio empala a disciplina de história, chega a ser irresponsável esperar 2018 para resistir.

Há tempo de tentar diminuir o prejuízo que pode levar a sociedade a um quadro de perda de décadas de conquistas e de avanço no discurso anti-conservador, mas para isso esse tempo precisa ser usado.

Esse é o nosso mundo, já dizia Renato Russo, o que é demais nunca é o bastante e a primeira vez é sempre a última chance.

Cárcere, economia, SPC e outras histórias

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População carcerária vivendo em masmorras é um problema para além da condição de vida dela, que já é um problema gravíssimo e o mais grave de tudo.

A população carcerária vivendo em masmorra TAMBÉM é um problema econômico. E ninguém, nem a esquerda nem a direita, nem o centro e nem os raruchos, discute programas de transformação das prisões e uso da massa carcerária em medidas de retomada da economia, que aqueceria como um todo com programas sustentáveis, ampliando a absorção também da massa desempregada livre nestes programas.

Um exemplo? Programas de educação pra presos que incluíssem do ensino fundamental ao ensino universitário, absorvendo o exército de reserva de mão de obra da área da educação, que é enorme, dando chance para egressos da graduação e mestrandos ou mestres, dando rodagem a futuros doutores e professores universitários. Isso permitiria que ao sair da cadeia o egresso do meio prisional pudesse alterar sua vida, conseguindo empregos com maior qualificação, deixando de ser economicamente inútil pra ser economicamente ativo.

Mais um exemplo?

A população carcerária poderia fazer parte de programas de transição da produção de alimentos, da transição energética com produção subsidiada de painéis solares para serem instalados em órgãos governamentais, escolas e hospitais e posteriormente vendidos a preços também subsidiados à população.

A população carcerária também poderia ser qualificada para a construção ecologicamente sustentável, com aprendizado e execução de construção baseadas na permacultura e outras técnicas de produção que poderiam ser usadas para, por exemplo, mudar a cara das periferias, melhorando a qualidade de vida da população pobre e reduzindo também o grau de impacto ambiental das construções “tradicionais”, além de produzir casas melhores, mais seguras para quem pouco tem.

Estamos falando de economia ou de direitos humanos? De ambos.

A barbárie é irracional e busca um processo de satisfação da crueldade humana em forma de supostas resoluções que nada resolve, não à toa os defensores da barbárie são também defensores de um estado mínimo em grande parte de sua estrutura, exceto a que pune e espanca, mata, a estrutura policial do estado.

Fã de Hobbes, sem nem saber, essa massa defensora da barbárie usa o medo, porque o sente, como base estrutural de seu ethos.

Isso não nasceu em árvore, é fruto de uma retomada Hobbesiana da direita estadunidense pós-Clinton, e para vencer Clinton, usando o medo do outro como plataforma para reconquistar Washington. Não foi muito difícil com um caudal de ódio racial naquele país, especialmente na parte sul.

O interregno Obama pareceu reduzir o peso desse ethos, mas não, apenas o ampliou sustentando-se em parte da mídia e no fenômeno Trump, mesmo que agora essa retomada Hobbesiana a partir de Trump perca o controle de sua criatura para o Leviatã desperto na população.

Nada mais sintomático que após a eleição do primeiro negro à Casa Branca seja eleito um branco rico, racista e misógino.

Esse ethos se espalhou América afora, não à toa, e com intervenção das mídias internacionais e nacionais como a Fox e a Globo, que não ficam nesse ethos apenas por interesse econômico e por seus proprietários,mas também por uma rigorosa seleção de trabalhadores alinhados com essa percepção.

O resultado é o aumento da defesa da barbárie, mas isso sequer é assustador em si, assustador é a ala liberal e a esquerda nada fazerem de concreto para derrubarem isso além de discursos abstratos sobre direitos humanos.

Porque não basta defender os direitos humanos ou reagir às suas violações, é necessário transformar o quadro do sistema que produze a barbárie.

E pra isso é preciso mexer na economia, no sistema prisional, na educação e na saúde par além de pautas genéricas e grandes citações de Lênin ou Bakunin.

Sim, é preciso ir pra prática.

Fala-se da auditoria da dívida, mas nãos e fala da recuperação de crédito para a população através da resolução de um enorme problema que é um terço da população estar no SPC.

Sim, é questão de direitos humanos recuperar o crédito para a população pobre. É fundamental um programa econômico que permita uma retomada controlada da capacidade de compra pelos mais pobres. É possível que o governo assuma as dívidas e promova um pagamento a juros subsidiados por parte da população, nem que exija contrapartidas como uma quarentena para a retomada de crédito e/ou serviços comunitários por período pré-determinado.

Sim, sabemos que se a população fosse banco esse projeto já teria saído do papel, mas a ideia não existe à toa, e faz parte do micro crédito desenvolvido na Índia e que jamais saiu do papel aqui. Com uma boa margem de negociação até os bancos gostariam da ideia, pois recuperariam crédito, grana, merréis e terceirizariam o serviço da dívida ao governo.

Não é nada revolucionário, mas por que nem a esquerda propõe isso a vera pra população?

E a população que não tá no SPC? Organiza um sistema de valorização de sua adimplência com ferramentas de crédito a juros subsidiados via BNDES para empreendedorismo individual, ajuda na construção de plano de negócios e meios de permitir que estas pessoas tenham meios de ampliarem sua capacidade de produção e evolução econômica. Difícil? Não, muito mais simples e fácil que fingir que financia a economia com empréstimos de pai pra filho pro Eike Batista.

Lembra do que falei sobre a massa carcerária? Pois é, esse sistema de valorização da adimplência pode ser utilizado também como ferramenta para movimentos de transição energética e/ou produção de alimentos com descentralização de comida que é parte boa do impacto da produção no aquecimento global e na ausência de soberania alimentar.

Por que não usar o sistema de valorização da adimplência pra ampliar a rede de instalação de painéis solares ou de comércio de produção agrícola orgânica de de produtores locais, tudo a preço subsidiado? Por que não ampliar a rede de fornecimento de educação profissionalizante ou de cultura?

Em dois planos falei de medidas que permitiriam alguma recuperação econômica e fariam impacto na vida da população como um todo e que governos podem fazer e cuja realização mexeria com a economia de cabo a rabo, porque a esquerda com toda sua intelectualidade não defende coisas assim nos programas de governo, na Tv, nos debates e apenas reage aos Bolsonaros e Crivellas como se estes fossem monstros do Scooby Doo?

Combater o medo com arrogância dá em Trump, que tal combater o medo com propostas?

A Esquerda, Foucault, o espantalho “pós-moderno” e a preguiça intelectual

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A esquerda em geral é tão conservadora, mesmo sendo a favor de casamento gay, aborto e o escambau, que ignora que NÃO E-XIS-TE pós-modernismo e que grande maioria dela sequer consegue conceber quem é Foucault.

Pós modernidade não é uma escola de pensamento e não, a esquerda não entendeu merda nenhuma de Foucault e ouviram o galo cantar e não sabem onde.

Mas a esquerda sequer lê qualquer porra que problematize essa lógica de espantalho em torno do “posmod” porque bloqueia.

Mesmo se eu for considerar o Foucault um autor sistemático, e há controvérsias, eu não tenho material a partir disso pra dizer que há um pós-modernismo a partir dele, no mínimo que há vários pós-modernismos.

Aliás, bora combinar que só a base da existência de modernismos e pós-modernismos parte de pressupostos estanques, ou seja, na divisão arbitrária e construída em torno de uma percepção da História como fruto de momentos e rompimentos, quando há, no mínimo, controvérsias a respeito e há, pelo menos, uns cem anos se entende que a História é múltipla, forma-se por superposição de elementos que duram tempos diferentes, e não só a partir de Braudel.

Ou seja, a gente discute um modernismo ou uma modernidade e um pós-modernismo ou uma pós-modernidade, como se o paradigma que as constituiu fosse algo que tem um tempo definido e delimitado, organizado em ondas que vão e que vem construindo um tempo novo a partir de rupturas.

E o babado não é por ai, pelo menos como eu enxergo e boa parte da comunidade de História.

Há elementos da tal pós-modernidade já na Grécia helênica, ou em Atenas (Vou evitar usar os termos Antiguidade ou idade média e moderna, porque essa divisão de tempo histórico é em boa parte causa das confusões, e só serve enquanto ferramenta didática).

Buckhardt e Nietzsche já discutiam algo nesse sentido.

A Escola de Frankfurt faz um combate ferrenho à ideia de história teleológica, o paradigma do avanço do progresso e da razão.

Antes de todos eles o próprio Hobbes é um anti-iluminista, e dentro das lógicas que constroem a existência do pós-modernismo seria um homem anti-razão e supremacia dela, o que o tornaria par de um eixo da criação de uma resistência à modernidade nos pós-guerra.

Hobbes não colocava que o pacto social nascia da razão e da busca dela, mas do medo e da busca de proteção.

O que se constitui com Foucault em torno do que se naturalizou como “pós-modernismo”, não tem nada a ver com o que também se chama de pós-modernismo em Hayden White.

Isso pra começar a discutir seriamente essa coisa, essa ânsia em taxionomizar o pensamento pra ele caber em uma narrativa onde há uma esquerda que quer destruir a revolução.

Outro aspecto que me incomoda na classificação da esquerda que divide o plano ideológico entre a boa esquerda e os pós-modernos, e para isso inventam um pós-modernismo (e digo inventam porque reúnem cabrito com avestruz pra dizer que todos são seres vivos e portanto justifica serem tratados como iguais) para atacar um pós-modernismo que cola basicamente em qualquer coisa que se move.

E nesse meio tempo tem uma esquerda que usa isso para atacar feministas, movimento antirracista, movimento trans e LGBT porque esses movimentos, com uma enorme dose de razão, ganham força e fôlego com a presença de Foucault e sua produção que discute as opressões, desde a Microfísica do Poder até o debate em torno da loucura, que sustentou boa dose de gente que embasou teoricamente a luta antimanicomial, feminista, trans, LGBT, etc..

E sim, claro que nesse meio tempo e campo existem quem diga que o problema não é a luta de classes, mas também tem quem é colocado como pós-moderno e que não, não nega a luta de classes, inclusive a insere dentro das lutas dos oprimidos, lembrando que um negro pobre não é iguala um negro rico, e uma negra pobre menos ainda que uma mulher branca também pobre ou mesmo que um negro tão pobre quanto ela. Que a luta de classes também tem opressões transversais e tals e coisa.

E ai um monte de gente da esquerda ignora essa complexidade e chapa quem tala em cis gênero e transgênero como “pós-moderno” ou quem fala em ecologia como “pós-moderno”, quando não faz pior.

O que se lê de bobagem sobre pós-modernidade não tá no gibi.

Primeiro que é um puta espantalho da esquerda, que criou essa categoria guarda-chuva pra colocar tudo o que foge ao controle de alas A, B ou C do bonde.

Segundo que nego generaliza tudo em nome da classificação em “pós-modernidade”, porque não existe sequer a tal pós-modernidade, existem trocentas reações a uma crise do paradigma da modernidade que já se inicia no fim do século XIX com Nietzsche, e não só, e ganha um fôlego maior no pós-segunda guerra.

Mas já nos anos 1930 havia a crítica ao paradigma da modernidade com Benjamin e a Escola de Frankfurt.

Nos anos 1950 em diante trocentos pensadores fizeram contribuições que discutiam o papel de Marx e dos marxismos, e não só deles, na construção de uma tradição de pensamento que era estanque e tinha o progresso infinito como eixo, uma ideia que a humanidade e suas ideologias seguiriam o passo da razão infinitamente rumo a uma libertação “natural”.

Essa lógica, esse eixo, ficou em crise pós holocausto, ou melhor, ampliou sua crise que já se iniciara pós colonização da África no XIX e as crises econômicas de 1870 a 1930.

Daí surgiram trocentas tendências de pensamento, trocentas, inclusive muitas marxistas ou próximas à anarquia, que discutiam a mecanização do pensamento de Marx; a ideia de economia de recurso infinito; o machismo, misoginia e homofobia da esquerda; o produtivismo como arma da destruição ambiental, etc.

Isso tudo é colocado como pós-moderno.

Pior, jogam Foucalt nessa vulgarização do pós-moderno como se Foucault algum dia fosse concretamente contrário à ideia de luta de classes, quem diz isso inclusive ignora os debates dele com Chomsky, onde Chomsky acaba sendo meio Rousseauniano e ignora a luta de classes e é corrigido pelo francês.

Em todas as áreas de pensamento existe influência de Foucault e de forma absolutamente distinta entre elas, e não, não mesmo, Foucault não é hegemônico em nenhuma área, nem sociologia, nem antropologia (Essa tá mais próximo do debate com Deleuziano, que se reivindicava de esquerda), nem história ou filosofia.

Em Filosofia o peso de Spinosa é enorme pra ser ignorado e atribuída a hegemonia de Foucault.

Em História a virada linguística e a ala Foucaltiana existe, inclusive discutindo o status científico da disciplina, mas tá longe de ser hegemônica.

Pensadores enormemente importantes pra história como Chartier, Thompsom e Ginzburg são colocados como pós-modernos, sendo que dentro da disciplina são exatamente os que mais combatem quem define e defende que existe uma pós-modernidade.

Ai eu leio que existe uma pós-modernidade e ela toma TODA a sociologia, filosofia e ideologias políticas pós-Foucault.

Jura? Tem de avisar ao pessoal.

Não é pouca a galera que fala em Bookchin como negador da luta de classes e pós-moderno ou Thompsom, e um foi marxista e avança a partir dele de forma séria, sem negar a luta de classes, e o outro foi marxista até morrer.

E de novo, tudo isso em nome de uma crítica vulgar, organizada em torno de uma divisão arbitrária do tempo histórico.

E ai eu me lembro do que escreveu um amigo, o povão tá nem ai pra essa punheta, ele vive essa gama maluca de temporalidades cotidianamente, em sua própria formação enquanto classe e sua própria percepção cultural do mundo, vivendo elementos que remetem à antiguidade, idade média, idade moderna e ao contemporâneo, e vivendo, construindo, se construindo e lutando.

Nos movimentos e bairros, periferias, o povo tá se organizando enquanto proletário do XIX, cis gênero feminista ou transgênero feminista, LGBT antirracista e libertário, rapper comunista (E muitas vezes reprodutor de machismo e opressor pra caráleo) e tudo fluindo nas contradições próprias do cotidiano.

E pra mim funfa muito pouco ou nada essa luta fratricida sobre quem tem a razão e onde encaixar o pensamento.

Existe um profundo debate sobre relativismo, pós-modernismo e o limite político disso tudo, não é uma tese ou uma categoria guarda-chuva, uma ferramenta espantalho, que resolve.

Aliás, me permitam uma crítica: A gente escreve de próprio punho e via de regra é surpreendido com algo que é extremamente antipático, pra não dizer autoritário, que é o “militante” meter uma tese, um link, e dizer “leiam ai”, sem argumentar uma linha, apenas agindo pra tornar isso um argumento de autoridade.

Depois vem conclamar respeito e só piora, porque por calhamaço com link e dizer “leiam ai a luz” não é respeito, é condescendência.

Se for pra por nota de pé de página com autores e onde escreveram o que complica pra cacete o debate, porque nem todo mundo tem acesso a autores e tempo pra ler, etc.

O que eu escrevo aqui é de cabeça, dois livros me organizam bem nesse debate “Relações de Força” do Ginzburg e “O Desafio Historiográfico” de José Carlos Reis” e sim, estou citando porque fico profundamente incomodado com o lance da Tese como argumento de autoridade.

Pareceu-me sempre uma condescendência arrogante, parece que existe uma sugestão que estamos falando de orelhada, e não tem essa.

A crítica que eu faço não é à indicação de leitura, mas ao uso de uma tese como argumento, uma tese escrita por outrem, sem que a própria pessoa escreva seu argumento. Ai é argumento de autoridade, e não indicação de leitura.

Se for pra fazer isso eu listo uma bibliografia e ligo o foda-se, e tô aqui escrevendo e usando meu tempo pra isso (Jogar a tese como argumento de autoridade inclusive é desrespeito ao uso do tempo do outro para estabelecer um debate e um diálogo a partir da produção de argumentos), porque não quero substituir meu ponto de vista, por mais que indique suas fontes, por uma produção que não é minha.

Colocar uma tese como proxy do próprio argumento é ignorar a leitura do outro, não se expor com sua argumentação a partir das próprias leituras, e dos riscos da produção de opinião, se indicar que o outro não leu ou sua argumentação não tem base.

Ler é obrigatório, e por isso, e não por jactância intelectual, que eu citei os autores.

O que eu, pelo menos, argumentei é que não existe apenas um pós-modernismo, e que a própria divisão temporal entre modernismo e pós-modernismo é arbitrária, ou seja, reflete processos que atravessam essas divisões cronológicas e por isso eu não acredito que exista um pós-modernismo, inclusive acho que poucos se reivindicam pós-modernos para que exista algo assim.

Vou mais longe, não acho que exista nenhum pós-modernismo, existem várias lógicas e escolas de pensamento e tradições que refutam o paradigma da supremacia da razão, da neutralidade da ciência e da ideia de progresso teleológico.

Isso, essas várias vertentes, não produzem uma coisa chamada “pós-modernismo”, no máximo produzem vários “pós-modernismos”.

Ginzburg quando em “Mitos, emblemas e sinais” estabelece o paradigma indiciário como o campo de conhecimento do conhecimento historiográfico, rompe com a ideia de ciência como o campo galileano por natureza, se a gente pegar isso sob o tacão das análises que classificam a produção teórica que rompem om o paradigma da neutralidade da ciência e da crise da razão ou mesmo da ideia de progresso teleológico a gente porá o Ginzburg como “pós-moderno”, e Ginzburg não tem porra nenhuma a ver com Foucault, mais, Ginzburg é na historiografia o anti-Foucault por excelência, inclusive ele é o “inimigo principal das correntes” Foucaultianas” na história.

Se a gente for pra política complica mais ainda.

 

Sobre o aquecimento global e o que ele produz: Pra gente ser feliz de 2017 em diante

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Se você não é parte da solução é parte da poluição

Sobre o aquecimento global e o que ele produz? Como escassez hídrica, refugiados do clima, guerras por água, extinções em massa?

Não, não é o capitalismo, é mais do que o capitalismo, é o produtivismo.

O produtivismo atinge todos os sistemas adotados desde o século XIX, sem exceção, seja o capitalismo liberal, o capitalismo nazi-fascista ou o socialismo realmente existente.

A ideia de progresso e do planeta como fonte de recursos infinitos, foda-se os resíduos do avanço da produção humana no meio ambiente, é comum tanto aos EUA quanto à URSS em grande parte do século XX e pós 1989 a todo o planeta.

Foda-se se com governos ditatoriais de direita ou esquerda, foda-se se com governos “democráticos” de direita ou esquerda.

Nenhum sistema fez PORRA NENHUMA para construir concretamente uma busca de reversão do avanço da deteriorização do planeta e dos biomas, pelo contrário.

Todos, sem exceção, avançaram na detonação do planeta e na ampliação da lógica de consumo de recursos até acabar, com todo o impacto que isso provoca, que vão da poluição ao esgotamento de solo, recursos hídricos,etc.

A URSS era mais poluente enquanto durou que toda a produção industrial estadunidense, que era, e é, poluente para caralho.

Então não, não é o capitalismo, é muito mais que o capitalismo, é um ethos moderno de progresso, progressismo, avanço irracional e exploração da terra como recurso infinito, que não existe.

É uma lógica da própria ciência econômica que caga solenemente pra finitude de recursos.

Enquanto tudo isso não mudar, inclusive toda a constituição da própria produção científica, especialmente na área de humanas, fica complicadíssimo discutirmos avanços e correções, sociedades livres e equilibradas com o planeta.

Culpar só o capitalismo é um escapismo sub-intelectual, é ignorar os erros dos próprios passos da grande parte dos sistemas ideológicos e produzidos enquanto política do século XIX pra cá.

O buraco é mais embaixo.

“Sustentabilidade” é balela, não existe isso enquanto o paradigma da produção e do consumo não forem radicalmente transformados.

E pra gente começar a discutir como transformar radicalmente produção e consumo não podemos parar no lucro, temos de bater também na lógica de comércio global, na própria ideia de progresso tecnológico e de comunicação, que depende demais da mineração, que é um troço que tá acabando com o planeta, e por aí vai.

Sim, o planeta precisa da gente repensando até nossa vida cosmopolita e comodamente sentada no convés da revolução dos transportes e comunicações pós século XIX.

E sim, a gente talvez seja mais vivo e feliz como planeta e civilizações com uma vida mais parecida com a de nossos tataravós.

Sim, é preciso reduzir a distância entre produção e consumo, reduzir o impacto dos transportes, dos combustíveis, da mineração, dos agrotóxicos, do lucro.

Pra isso é preciso parar com a fetichização do crescimento econômico e buscar o equilíbrio ecológico.

Difícil,né? Muito, principalmente quando a maior parte da esquerda dita revolucionária mundial ainda vive em tempos pré cambrianos e comemora crescimento econômico, uso de petróleo pra financiar educação,etc.

Sim, é utópico o que escrevo, mas entre o utópico e a extinção, que calcula-se que pode vir entre cem e duzentos anos à frente, acho que a utopia é uma boa aposta.

O que será o amanhã?

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Christine Lagarde do FMI pega por corrupção na França,mas quem liga?

A apropriação do samba da União da Ilha não foi à toa.

As ondas e tsunamis conjunturais dos últimos dois anos deixaram marcas, e algumas delas tão óbvias, nas nossas apostas sobre a realidade do porvir.

Pois bem, as análises de conjuntura em sua grande maioria falharam miseravelmente, por inúmeras razões, entre elas uma aposta bizarra, que eu fiz inclusive, numa previsibilidade do capital e seu suposto respeito ao limite democrático.

E pá, ele não respeita.

O Capital não tá nem ai pra democracia.

Vimos em 2016 o Capital agindo da forma que sempre agiu: Atropelando o cacete em nome de suas necessidades pétreas, em especial do lucro.

O Capital aceita os Lula da vida, as mediações, quando ele não tem força pra atropelar.

A partir da aceitação ele coopta os Lula da vida, acumula força e ai atropela.

Até quando atropela? Até perder força, mas até isso chegar muitos vão passar fome e morrer por falta de atendimento nos postos de saúde.

Vimos isso em 2016 com os governos Temer, Pezão, Sartori e todos os estaduais destruindo o pouco estado e a pouca rede de proteção social no Brasil, doando bilhões pra empresas ampliarem sua margem de lucro enquanto demitem trabalhadores e metendo a porrada na gente, destroçando direitos minimamente conquistados depois de anos de luta.

Vimos antes, em 2015, Dilma destroçar o seguro desemprego e o seguro defeso, sem mexer nas desonerações que são exatamente isenção fiscal pra aumento da margem de lucro das empresas que nos demitem.

Estamos vendo o desmonte do CAPES, das bolsas de pós-graduação, e do desenvolvimento científico, o estrangulamento dos órgãos de análise e produção de dados sócio-econômicos, a desumanização do ensino com o apagamento das ciências humanas do mapa pedagógico e por ai vai.

O mapa da maldade tá aí, visível, e dessa vez não somos João e Maria, nós já somos nascidos e crescidos neste tempo da maldade.

E o que será o amanhã? Responda quem puder.

Não há mapa de resistência visível neste mundo de hoje, lamento.

Esperar uma reação nas ruas de uma esquerda patologicamente aprisionada em sua lógica fan boy de figura pública e que além de tudo agride e espanca quem procura resistir sem pagar pau pra Machos Alfa Ideológicos dançarem? Lamento, não dá.

Há esperança? Semrpe há, ela não morre fácil,mas além da molecada das ocupaçẽos fica difícil ver outro horizonte.

Greves? Quer que eu ria?

Grande parte da esquerda tá literalmente inventando uma ausência de condições objetivas pra greves e silenciamento quem as propõe de dentro ou fora dos movimentos de trabalhadores em nome de seu cálculo eleitoral eterno.

Pra que greve se o lance é ter fé no Lula não ser preso e ainda assim esquecer todos os acordos como andar de cima pra produzir o sebastianismo da vez, não é mesmo?

2017 pinta como um ano mais turbulento que 2016, politicamente instável, com forte cheiro de avanço violento das políticas e movimentos reacionários e repressivos sendo assistido por uma esquerda atônita.

O que esperar de uma esquerda que gasta mais tempo construindo narrativas pra justificar agressão do MTST a anarquistas e autonomistas, a viver de “Primeiramente Fora Temer”, a em meio à destruição do serviço e do servidor público em todo o pais não puxar uma maldita greve e além disso permanecer achando mais grave quebrar vidraça do que dar com o pé de cabra na cabeça de militante de esquerda? Nada.

A esquerda em sua maioria está parada, como água parada, criando mofo, seja teórica, moral ou politicamente.

A esquerda nada propõe fora de uma caixa aberta em 1917 e que se esforçam pra cacete pra esquecer que gerou a URSS de Stálin.

Nada, absolutamente nada sai fora dessa caixa. Ecologia? Formas horizontais de organização? Autonomia? Nucleação? Deshierarquização? Bebeu?

É mais fácil ver uma esquerda optando por tratar toda forma de pensamento não binário cabível em seu modus operandi como “pós-moderno”, ignorando a enorme gama de novas formas de pensar que não se propõe nem se enxergam pós-modernas e discutem o marxismo mecânico forjado pós-lênin, do que produzindo qualquer outro avanço teórico e organizativo digno de nota.

E não, não estou falando de anarquia em si mesma, ela é minha opção ideológica, não é panaceia, e sequer entendo que a anarquia hoje esteja em um quadro tão diverso dos marxismos em termos de ortodoxia mecanicista.

Estou falando de tudo, de todas as formas de intervenção ideológica.

Tem ecossocialismo, ecologia de Marx, Confederalismo democrático, municipalismo libertário, anarco primitivismo, as diversas formas de autonomia.

Tem uma porrada de forma de discussão, debate e produção teórica que permite avanços organizativos.

Há, neste momento, uma revolução em pleno oriente médio, com um sistema de governo muito mais radical e libertário do que todas as organizações partidárias e não partidárias propõe hoje, em Rojava e seu Curdistão Libertário, mas a esquerda sequer liga, ela nem olha pra isso.

A maior parte da esquerda sequer sabe que Ocalan, que produziu a migração do leninismo do PKK pro municipalismo libertário de Murray Bookchin, é preso político da Turquia e se opõe a Assad tanto quanto à Turquia, Rússia e EUA.

A esquerda não nota nem o quanto ela em sua marcha de apoio ao Estado Brasileiro ela reforça seu autoritarismo secular e o quanto ela se afastou de formas de ampliação do poder decisório da comunidade como o orçamento participativo e o quanto ela hoje atravanca a organização popular em nome de eleições.

Nossa esperança é no velho “espontaneísmo” das massas, porque são grandes as chances de neste momento de intenso ataque ao trabalho, aos aposentados (Que hoje são em pelo menos um terço das famílias o esteio econômico delas), de surgimento de revoltas espontâneas, os famosos quebra quebra, e que provavelmente serão criminalizados pela esquerda.

Fora disso é pouca a margem da esperança.

Haverá governo Temer até 2018? Haverão diretas? Faz diferença?

Não, não faz, lamento.

Diretas no máximo retornariam o direito ao voto, não resolvem o problema, sequer apontam saídas reais além da ilusão do voto.

Lula ou Marina ou até mesmo o PSOL dariam alguma solução fora da casinha dessa hegemonia cultural neoliberal? Não.

Sabe a auditoria da dívida? Nem o PSOL banca isso,como vimos na formação do programa de sua maior figura pública em 2016, quando Marcelo Freixo empoderou a ala contrária à auditoria da dívida.

Sem auditoria da dívida é melhor nem começar o debate.

O que irá nos acontecer? Não sei.

Sei que o quadro tende ao desmonte de vez do que se conseguiu entre 1917 e 1988 e sem ninguém ir além de escrever “Fora Temer” no copo do Starbucks.

Sobre Capitães do mato e a comparação do “pobre de direita” com eles

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Como a maioria dos negros forros que se mantinham forros os Capitães do Mato eram homens que lucravam com o trabalho de rastreamento de escravos fugidos e isso incluía o papel de mediador mais do que o de capturador violento.

Lendo ‘Negociação de Conflito do João José Reis e Eduardo Silva a gente compreende que a maior parte dos Quilombos no Brasil eram temporários, que a maioria das fugas, especialmente do século XVIII em diante, eram temporárias também e consistiam em algum tipo de mecanismo reivindicatório.

Capitães do Mato como uma espécie de “Domingos Jorge Velho” são mais lenda que realidade.

A maior parte dos capitães do Mato era negro ou índio e deveriam poder transitar nas trilhas E nos Quilombos, assim podendo conseguir informações sobre escravos e índios fugidos.

Negros e índios armados caçando outros negros e índios? Em uma sociedade sob medo perene de negros armados acho difícil que existissem.

Às vezes brancos livres também eram capitães do mato,mas brancos eram absoluta minoria no país, poucos realmente livres, a maioria camponesa e fixada à terra através de mecanismos de relação econômica onde o senhor mantinha alguns brancos livres para o exercício de funções específicas (Ferreiros, carpinteiros, pequenos agricultores de víveres e pecuária para a alimentação das grandes fazendas,etc).

Capitães do Mato exerciam uma função de enorme importância para serem pobres. Na maior parte das vezes eram pessoas com profundo conhecimento de terreno e de escravos.

Tinham prestígio? Tá.

Pobres em sua maioria eram negros ou mestiços, alguns poucos brancos e nenhum deles tinha prestígio nenhum. Capitães do Mato podiam não ser exatamente pobres,mas eram pretos em sua maioria, e ser preto não dava prestígio, como raramente dá hoje.

A saga do homem livre no Brasil durante o período de escravidão era uma coisa complicadíssima pra brancos, imagina pra pretos,né?

O Capitão do Mato não era vilão de desenho animado, assim como os escravos de ganho que possuíam outros escravos não eram os burgueses negros do mal.

O Capitão do Mato era um sujeito que conhecia o terreno e tinha trânsito, por isso a maioria era preto ou índio, nas mais diversas comunidades, inclusive as quilombolas, para que pudesse reencontrar pretos fugidos e mediar na maioria dos casos este retorno deles às fazendas.

Havia capitães do mato canalhas e violentos como mediadores e negociadores, como em todos os casos e funções.

Capitães do mato não eram pobres, pela função específica, eram menos parte do sistema de repressão que os feitores, porque muitos eram livres sendo pretos e tinham uma função complexa onde o excesso e a violência reduziam a capacidade de mediação e trânsito e por ai vai.

Mas nem tosdos eram livres, fica a dica, e mesmo assim também não eram exatamente pobres mesmo não livres.

Wu fico até convictamente constrangido de ter de dizer isso,mas a esquerda jura que não vê absurdo em demarcar uma parte inteira da classe como idiota porque não pensa como a parte “boa” e pior, a colocá-la como uma vilã de almanaque construído a partir de visões da escravidão que demarcavam a sociedade em classes e em papéis determinados de forma maniqueísta como se a sociedade fosse construída como um mundo de heróis e vilões?

E sério, antes de existirem classes no Brasil se classifica o mundo dividido em classes.

Antes de qualquer organização industrial e concretamente capitalista onde burguesia e proletariado ficam claramente construídos enquanto classe, e isso só passa a ocorrer a vera a partir da primeira década do século XX, é impossível usar categorias como classe pra falar da sociedade escravocrata.

Pior,sem conhecer as dinâmicas da sociedade escravocrata fica complicadíssimo limitar os papéis exercidos pelas diversas figuras, etnias e estamentos em limites estanques entre heróis e vilões.

Piora mais quando além de todo o equívoco construído em cima da ignorância se transforma boa parte da sociedade de hoje em um tipo de ente negativo que é violentamente ofensivo, por ser tomado como burro e por transformar uma maioria absoluta de gente preta em “capitão do mato” a partir de uma visão equivocada deste que o coloca como “caçador de pretos”.

E revela demais, revela ignorância, elitismo, messianismo, desprezo pela consciência que o outro tem, distanciamento do outro, transformação do outro em um tipo de animal rebelde que renega a condução e se isso é revolucionário meu nome é Tamanco.

Não só é absurdo comparar pobre de direita com capitão do mato, como é anacrônico e revela absoluta ignorância sobre o caudal cultural que compunha as organizações sociais e as diferentes partes da estratificação social durante o período da escravidão.

Aliás, revela um problema sério da esquerda de pindorama de conhecer pouco o próprio país, sua história e o que tem de estabelecido na historiografia sobre a escravidão.

João José Reis, Flávio dos Santos Gomes, Sidney Chalhoub, Eduardo Silva pesquisaram a escravidão e a pós-abolição por décadas e tem nos livros deles material o suficiente pra que se entenda a sociedade escravocrata sem esse tipo de anacronismo.

É de uma estupidez solene transformar o “pobre de direita” num ente criado pelo imaginário “intelectual” sobre o Capitão do mato, majoritariamente negativo e que ignora tudo o que foi produzido até hoje a respeito.

O que esperar de quem ignora que as fugas pra quilombo não são como aparece em Escrava Isaura, que a maioria dos Quilombos não foi Palmares, que a relação de boa parte dos escravos com seus senhores foi, especialmente pós Haiti, tão transformada que transformou o imaginário de Pelourinhos e chicotadas em lenda?

Claro que na cabeça dessa galera as Sinhas Pretas, que possuiam escravas, eram calhordas opressoras, ignorando toda a relação de escravidão em posse de ex-escravo como caminho mais rápido pra alforria,né?

E os Capitães do Mato que viraram menos os caras que trabalhavam na mediação entre pretos fugidos e senhores, nem sempre sendo violentos e homicidas,mas também atuando como leva e traz de reivindicações, pra que analisar isso?

O que esperar de uma galera que, pensando no século XX e XXI, pensa que no imaginário do período de escravidão o contrário de escravo era senhor e não “homem livre”, porque a ideia de liberdade foi, em toda a sociedade, algo construído a partir do fim do século XVIII?

Como explicar pra essa gente que a figura do Capitão do mato “retirando os escravos da liberdade” seria inútil em uma sociedade onde a liberdade para negros, e até pra brancos, era um treco impossível, como é até hoje, dado que a determinação da situação de livre ou escravo era principalmente a cor da pele, e não eram raros os forros reescravizados?

Já ouviram falar em “muros invisíveis”? Pois é. Dá até preguiça ler esse tipo de comparação e pior, ler a defesa disso como normal.

Se a esquerda quiser tem alguns livros fundamentais, como “Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil” do João José Reis e Flávio dos Santos Gomes, “Camélias do Leblon” do Eduardo Silva, “Visões da Liberdade” do Sidney Chalhoub, e pra fazer a relação sobre o “pobre de direita’ e o distanciamento que a esquerda faz do próprio marxismo pra formular esta bobagem, recomendo ” A formação da Classe Operária Inglesa” e “Costumes em Comum” do Edward Palmer Thompsom.

Greve geral é tabu, impossibilidade conjuntural ou a esquerda tem medo dela?

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NENHUM PARTIDO DE ESQUERDA hoje discute, debate, escreve sobre greve geral. Sequer abre espaço pra começar alguma coisa nesse sentido.

E estamos falando de quem participa de CUT, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL,etc, nenhum.

O debate tá proibido?

Por que?
 
Por que esse silêncio?
Será que da geleia geral do PSOL aos stalinistas ou trotkistas PCB e PSTU, passando pelo necrogovernismo petista e do PCdoB ninguém tentou debater isso ou pensou nisso?
 
O que está acontecendo?
Não me venham falar em “ausência de conjuntura”, please.
  • O ANDES há meses discute greve geral, sindicatos de servidores públicos de vários estados idem; escolas estão há meses ocupadas;
  • Índígenas e quilombolas em polvorosa pelas mudanças nas titulações de terra;
  • Mulheres e militância trans e lgbt em mobilização constante;
  • O governo tem a mais alta rejeição em décadas, maior que a da Dilma;
  • As PEC do Teto e da Reforma da Previdência são rejeitadas por mais de 60% da população, assim como a MP do ensino médio;
  • O congresso nacional tem a mais alta rejeição em décadas também

Cadê a chamada de unidade de ação para uma greve geral?

Por que esse silêncio?
Sabe quem fala em greve geral recentemente além dos sindicatos, alguns? A direita via MBL, etc.
Desde quando esse tema não só virou tabu para a esquerda partidária como além de manterem seus sites e páginas em redes sociais alheios a este debate, seus militantes se esmeram em transformar todo mundo que sugere greve geral como saída em “malucos”?
Não é pouca coisa isso e sugere sim um movimento articulado de silenciamento ou um nível de imobilização ancorado numa militância  e direções partidárias estupefatas e paralisadas nunca antes visto na história deste país.
A população cada vez mais radicalizada indo às ruas, as periferias idem, repressão comendo solta e a militância esperando a CUT se mobilizar por uma greve geral?
Jura que nenhum partido entende que pode ter papel preponderante neste debate e construir em conjunto uma conjuntura que permita uma greve geral?
Anarquistas e autonomistas tão praticamente diariamente neste enfrentamento e neste debate desde pelo menos 2015, é só olhar os textos das organizações anarquistas e autonomistas, fora a lembrança da greve geral de 1917, porque os partidos não começam também a organizarem suas forças para isso?
Jura que se PSOL, PSTU e PCB centrarem forças pra construção coletiva de uma greve geral não há condições objetivas de algum barulho?
O PSOL que faz propaganda de suas primaveras eleitorais não tem como deslocar as forças e pernas que as produziram para iniciar um debate franco sobre greve geral, mesmo num quadro de profunda descrença na via partidária?
E o PSTU e PCB?
Sim, vai ser difícil quebrar a desconfiança com as demais forças da esquerda, ainda mais quando todo dia militantes do socialismo amarelo fazem um esforço corno pra tentar desestimular qualquer radicalidade, transformando radicais em idiotas alucinados, ou pior, escrevem textos criminalizando autonomistas e anarquistas que adotam a tática Black Block, defendendo um tipo de manifestação que precisa ser muito descolado do real para não perceber que a PM não deixa acontecer: a manifestação pacífica contra o governo.
Mas vale um esforço mínimo construir a partir da convocação de TODAS as forças de esquerda ou historicamente ligadas a ela pra um debate convocatório de construção de greve geral.
Há uma conjuntura hoje de latência da rebelião, e ele fatalmente acabará acontecendo em algum momento, não por mágica, mas por uma conjunção de fatores que prejudicam demais grandes contingentes populacionais e em meio a uma profunda e galopante crise de representatividade. Se não é este o momento pra tentar organizar alguma mobilização de vulto, e consistência, como uma greve geral, qual seria o momento?
Claro, uma mobilização desta monta exige uma série de esforços históricos que compreenda as diferenças entre forças políticas, que vete conscientemente qualquer tentativa de hegemonização de atos e organizações, que silencie cooptações para que ocorram seriamente ações que construam uma greve geral ou atos de impacto similar.
Há sindicatos de professores discutindo auto-defesa diante da violência policial, por exemplo, o nível de tensão chegou ao ponto de deslocar pro centro gravitacional da revolta contingentes populacionais outrora avessos a ela.
É fundamental que alguém construa as pontes, seja  a CAB, a FIP, o PSOL, o PT, o PCB, sei lá, mas existe a necessidade de um novo CONCLAT com um aviso na entrada “Por favor pendurem aqui suas vaidades”.
É fundamental que a APIB seja compreendida não como um movimento social fofo,mas como um dos principais atores da retomada de mobilizações populares desde 2013.
É fundamental que a CAB e outras confederações e organizações anarquistas sejam respeitadas como parte fundamental da retomada de organizações em favelas, de mobilizações estudantis de fôlego e sucesso no último triênio.
É fundamental que os partidos da ordem que se reivindicam esquerda também desmontem a aversão a quem se organiza através da ação direta, porque o momento exige, porque o momento grita e pede por uma ação como uma greve geral.
Ah, greve geral é fetiche? Beleza, então organizemos coletivamente algo que tenha o impacto e o peso de uma greve geral. Têm ideia melhor? Opa, manda ver. Não tem? Então continuemos com o debate e a construção de uma greve geral.
Quer fazer um Cirandão país afora que atrapalhe o trânsito por 24 horas e impeça produção de rolar? Tamo junto,mas tem de impactar a produção.
O que não dá pra entender é a negação do debate, o elogio à loucura do imobilismo em um momento ímpar, na dor e no prazer, da existência das forças organizadas da esquerda.
A perda da eleição doeu,mas doerá mais perder o bonde da indignação popular.
Não dá pra eternamente ficar esperando a tempestade perfeita conjuntural.
Também não dá pra ignorar que haverão críticas a todos, como a Dilma ter feito a lei antiterrorismo e também iniciado a PEC do fim do mundo, ou do PSOL e PSTU serem cúmplices da criminalização de movimentos e ativistas que deram na lei antiterrorismo que fode a todos coletivamente hoje.
E anarquistas e autonomistas também sabem das críticas dirigidas a eles por parte da esquerda partidária, então fiquem tranquilos.
A questão é: vamos pro pau e pras ruas realmente ou é só meme?

Sobre a barbárie, Claudia, Amarildo, Eduardo e o filho de Tati Quebra Barraco

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Não sei se quem defende “bandido bom é bandido morto!” sabe ler, e não reclamem da forma como essas pessoas são tratadas neste texto dado como elas tratam a questão e as pessoas,mas se souberem ler e pensar, o que duvido, espero que ententam uma coisa:
 
É óbvio que uma pessoa que diz “Não vai ocorrer comigo” pra justificar violência policial, abuso de autoridade e homicídio, que são crimes e tornam o policial um criminoso, esquece de mortes com o a de Amarildo, que foi preso, assassinado e sumiram com o corpo sem que ele tivesse qualquer envolvimento com o crime, ou do Dançarino do Esquenta, o DG, que foi assassinado pela polícia enquanto voltava pra casa.
Esse tipo de pessoa tá com tanta fome de justificar violência policial e com tanta ausência de empatia pelo outro que transforma a realidade em conto de fadas.
Alguns chamam isso de burrice,mas acho que é crueldade mesmo.
 
Pior é que defende crime cometido por policiais pra justificar que “bandido bom é bandido morto”.
Quem é bandido?
A Claudia Silva Ferreira foi assassinada pela polícia e arrastada, tentaram transformá-la em criminosa para justificar sua morte, e é o que fazem com todos os mortos pela polícia.
O menino Eduardo, de 10 anos, foi transformado em “bandido” porque foi assassinado por policiais.
Todo assassinado pelo Estado, todo assassinado por policiais vira bandido, seja ele ou não um.
E isso acontece como se bandido morto não fosse homicídio e significasse que a polícia mandou pro cacete qualquer tipo de respeito às leis.
 
O fato de criminosos serem bárbaros e desobedecerem as leis e matarem pessoas é inerente ao fato de , tcharam, serem criminosos.
Criminosos não obedecem as leis, por isso existem punições, que são determinadas por juízes a partir de peças de acusação feitas pelo ministério público.
A polícia NÃO PODE ultrapassar o limite dela que é o de apurar e prender os criminosos. Quando ela se torna juiz e juri ela comete, tcharam, crime, portanto se torna bandida e ai, se reaça pensasse, o que duvido, entraria pro cálculo de “bandido bom é bandido morto”.
 
Mas independente disso tudo existe o fato óbvio que uma pessoa perdeu um filho porque a PM co-me-teu um cri-me, CONSEGUEM ENTENDER? A PM matou uma pessoa.
Se fosse em legítima defesa, o que as circunstâncias apontam para o fato de que não foi, o policial não responderia por crime, mas a ostentação da morte,etc, a forma como ocorreu indica execução, que é crime.
E ainda assim independente disso,s e houvesse justificativa existe um mínimo de empatia, um mínimo de noção de entender que criminosa ou não a vítima tem mãe, a mãe da vítima não é criminosa por ser mãe e não merece ser tripudiada em sua dor.
 
Se essa direita “de bem” tivesse um mínimo de inteligência, honra, decência, e até coragem nessa cabecinha de soldadinho de cumbo pouco menos válida pra vida humana que nitrato de pó de merda entenderiam isso.
A barbárie chega pra todos, e em especial pro sujeito que naturaliza a violência policial e do Estado. Porque apenas os que vivem nas mais altas esferas estão praticamente livres da barbárie, da classe média pra baixo não existe niguém que seja poupado dela.

A Classe operária vai ao Paraíso enquanto a Esquerda cobra dela que pereça no inferno

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Há anos me incomoda profundamente um discurso rasteiro, tosco, burro até, da maior parte da esquerda sobre o povo e a população como um todo.

Esse discurso prega uma série de regras para o povo, elege o povo como aquele que deve ser guiado como gado, transforma o povo em uma entidade metafísica aculturada, com mau gosto, que decide mal, mora mal, veste mal, fode mal e se bobear cheira mal.

Não uma ou duas vezes a cada ciclo eleitoral vemos a esquerda tratar o povo como pária pois não a seguiu rumo à Canaã moderna pregada por ela, seja isso um mandato de deputado ou um prefeito com programa ruim e mal escrito, pouca empatia pelo pobre e nenhum respeito pela divergência.

A cada ciclo de derrotas diante do avanço conservador, ou reação conservadora (como prefiro), a esquerda através de seus muitos membros cobra do povo uma mobilização espontânea para resolver a treta.

O engraçado é que essa mesma mobilização espontânea é criticada quando ocorre, quando não é criminalizada.

Sob uma sub intelectualização proto teórica que prega que é necessário um alto grau de organização para que essa mobilização “espontânea” ocorra de forma “revolucionária”, a esquerda age como se fosse um carnavalesco da população, e depois vem toda uma ladainha de como esse povo que precisa se mobilizar espontaneamente teria mais sucesso em sua mobilização se seguisse as regras prescritas por Lênin em 1905 em “O que fazer?”,mas só se essas fossem as regras defendidas pelo partido do teórico de esquerda especializado em cagar regra sobre como o outro deve agir.

Depois, quando o cabra pensa dez minutos, e o povo também, percebe que o povo se mobilizaria segundo o manual se, talvez, esse manual fosse apresentado pelo partido que caga regra sobre como o povo deve agir de forma que o povo pudesse entender e comprar a ideia.

E ai o autor da brilhante crítica ao povo critica o povo de novo, porque o povo não se abre para o recebimento da luz, da verdade e da vida presente na cagação de regra dele.

Percebem a podreira cíclica da inépcia?

Pois é, eu tentei evitar termos chulos, mas é impossível não utilizá-los diante da nojeira que é o cotidiano da esquerda imobilizada pela sua mistura de arrogância, incompetência, elitismo e burrice.

Primeiro a esquerda abandonou toda e qualquer interlocução com o povo, essa entidade, depois o transforma em seu inimigo. Em terceiro lugar ela o trata como jegue, em quarto ela o despreza enquanto ente cultural com gostos, ideias, organizações e em quinto ela criminaliza esse povo quando ele se organiza de forma dispare do que ela defende.

O que essa esquerda quer? Libertar o povo ou amestrá-lo?

Lembram-se quando esse povo foi pra rua exigir que as passagens abaixassem os preços, quando parte dele se organizou em coletivos apartidários e resistiu à violência policial?

Sim, a esquerda criminalizou essa parte do povo.

Lembra-se quando o povo se rebelou contra policiais e UPPs? A Esquerda cagou pra isso e apoiou as UPPs.

Lembra quando o povo dá o jeito dele pra fazer praça, reformar imóveis, comer e arrumar emprego pra poder comer às vésperas das eleições? A esquerda chama esse povo de corrupto e vendido.

A esquerda sacaneia o pobre que defende o sistema como “pobre de direita” enquanto faz discurso de conciliação de classe pra poder eleger prefeito ou deputado, que é também defende o sistema, mesmo que envolvido na balela de “Lutar por dentro do sistema”.

A Esquerda critica o pobre porque não se revolta contra a Reforma da Previdência enquanto o deputado Chico Alencar, da esquerda mais esquerdista do esquerdismo de todos os tempos, diz em rede nacional, no também Nacional Jornal que é pra se lutar “por redução de danos!”.

E o Chico vai poder rir em uma festa do PSOL tradicionalmente organizada na zona sul do Rio, mas o pobre esse nem ver a porra do jogo e da novela pode.

O PT pode ter Jucá, Geddel, Renan, Temer em seu governo, mas o povo que vota no PMDB é “Pobre de direita”.

Sabe a Dilma que a esquerda que se dizia crítica fez voto crítico e depois defendeu do “golpe” mesmo depois dela sacanear o Seguro Defeso E o Seguro Desemprego? Ela organizou parte do que hoje é PEC 55 e da Reforma da Previdência.

Mas a Esquerda quer que o povo resolva essa treta que ela mesma construiu de muitas formas entre objetivas e indiretas, e que resolva por ela, a esquerda, antes que seja tarde.

E tudo isso pra depois ser criticado como “espontaneístas” com parte dos “vermelhos” usando os ataques de Lênin à Rosa Luxemburgo pra ornar essa bobagem.

O que essa Esquerda quer?

Ela esvaziou as ruas de esquerda defendendo uma abordagem fofa do ato de se rebelar, criminalizando quem fazia ação direta, desqualificando anarquistas e autonomistas, desqualificando grupamentos de favela, desqualificando pobres organizados, incutindo um discurso babaca e bundão de que toda rebelião tinha de seguir um script organizado pela LIGA INDEPENDENTE DAS PASSEATAS e com julgamento dos quesitos feitos pelos exorcistas do Vaticano, ai a direita ocupa a vaga deixada por essa esquerda e sua criminalização calhorda feita pra ficar bem na fita do Jornal o Globo e ainda quer que o povo resolve essa merda?

E a ala anarquista e autonomistas, o que quer? Quer que o povo a siga bovinamente enquanto ela despreza a inteligência popular cagando regra chamando o povo de servo porque parte dele vota?

De boua? Não dá, né?

Pra sair dessa estagnação estancada, tosca, burra e mimada, a esquerda precisa sair coletivamente do pântano, mexer a bunda, ir no povo conversar com ele, ser o povo, cheirar igual a povo, andar de ônibus e trem como povo, ter consciência de classe como povo, fazer luta contra hegemônica.

Pra cagar regra elitista a gente não precisa dessa esquerda, a direita faz isso melhor a mais tempo.

Não faz? Então não fode a novela do povo.